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Nos últimos 38 anos, o mercado de carne bovina teve um crescimento sem precedentes. No Brasil, devido aos investimentos, às inovações do setor e às mudanças socioeconômicas, o consumo de carne vermelha teve um aumento de 45,4% de 1980 para 2018. Esses números acompanham o comportamento no resto do mundo, embora os brasileiros ainda consumam menos carne que os demais países.

Segundo as projeções lançadas em 2018 pela OECD-FAO e pelo MAPA, o crescimento no consumo de carnes se manterá, mas muito menor em comparação à última década. Isso se deve à estabilização do consumo per capita nos países de renda média (como a China), e pelo acesso restrito ao produto nos países menos desenvolvidos, que têm limitado aumento de renda.

Portanto, para ajustar a sua produção e os seus investimentos, é essencial saber como está o panorama de comportamento atual e quais são as perspectivas para o mercado de carne bovina. Acompanhe o artigo!

Comportamento da população e perspectivas para o mercado de carne bovina

A demanda por produtos agropecuários (carnes e cereais) experimentou um crescimento histórico na última década. Isso se deve principalmente a dois fatores: o aquecimento do mercado da China e o incentivo à produção de biocombustíveis. O aumento da renda da população asiática impulsionou a demanda por alimentos, em particular por carne. A intensificação da produção pecuária impulsionou, por sua vez, a demanda por grãos e bom manejo das pastagens.

O consumo de carne tende a diminuir, à medida que a renda da população estagna ou declina, pois os consumidores demonstram menor propensão a gastar sua renda extra com comida. Por outro lado, a tendência é que a demanda por proteína animal aumente, dado o crescimento da população mundial.

O MAPA prevê uma alta na taxa de produção de carne bovina de 1,9% ao ano até 2028, aumento esse que consegue atender tanto o mercado interno quanto as exportações. Em contrapartida, é esperado um aumento de 2,6% para as carnes de frango e suína.

Essas discrepâncias não surpreendem os pecuaristas, uma vez que a carne bovina nunca foi escolhida pelo preço acessível nas prateleiras de supermercados. A produção pecuária é mais cara, lenta e complicada que a suinícola, a aviária e o pescado — por mais tecnológico e intensivo que seja o sistema de criação.

Estes últimos sempre sairão na frente na corrida pelo menor custo, dada a velocidade do ciclo produtivo e à conversão alimentar dos animais. Contudo, é preciso ressaltar um detalhe: a renda não é o fator determinante para analisar o consumo de proteína animal, ainda que seja deveras importante.

Conseguimos observar movimentos diferentes no mercado da carne. O Brasil, a Argentina e a China são exemplos de países que apresentam uma forte preferência pela carne, ainda que atravessando crises. Por outro lado, regiões como Ásia-Pacífico, México, Mediterrâneo, Oriente Médio e restante da América Latina demonstram baixa predileção pelo item.

O exemplo mais extremo são os estados da Índia que têm regulamentações proibindo o abate ou a venda do gado. É possível concluir, portanto, que os costumes alimentares são fortemente influenciados por fatores culturais.

Dito isso, cabe destacar que é crescente a parcela da população que está cada vez mais disposta a pagar por produtos especiais. Tanto as carnes com cortes, maturação ou embalagens especiais (mas que sejam provenientes de sistemas comuns) quanto carnes premium (que ofereçam algum benefício específico como sabor diferenciado ou menor impacto ambiental) estão tendo maior procura.

Nesse último grupo entram as carnes de produção sustentável, orgânica e as certificadas (Carne Angus Certificada, por exemplo), que têm por objetivo resguardar as características de uma raça e as tradições da atividade pecuária.

Dicas para acompanhar as tendências de consumo de carne

No cenário que se apresenta, é fundamental que o pecuarista observe essas tendências comportamentais da população, bem como os incentivos do governo e as perspectivas econômicas para poder ajustar os investimentos na sua produção. Como vimos, já que a preferência pela carne também é ditada por fatores culturais, vale apostar nas exportações, ou focar em grupos dispostos a pagar por produtos especiais.

Contudo, todo produtor de carne bovina, independentemente da fatia de mercado que ocupe, deve se preparar e adaptar sua produção de modo que tenha menos prejuízos e maior retorno sobre seus investimentos. Entre os cuidados e inovações que podem ser avaliadas e implementadas pelo pecuarista estão as seguintes.

Atentar para uma boa gestão de custos

Fazer a boa gestão da fazenda é primordial para manter qualquer negócio na ativa. Nenhum produtor consegue garantir o seu lugar no mercado sem um devido planejamento anual da compra dos insumos e do manejo das pastagens.

Buscar por inovações e manter-se atualizado

Não é novidade que quem não se atualiza fica para trás, certo? Assim, busque se informar pelo que há de mais moderno no setor, que facilite a gestão e promova o desenvolvimento do sistema de produção.

Por exemplo, há softwares que controlam os índices zootécnicos dos animais e boas práticas de manejo sendo aprimoradas para garantir a maior produtividade na fazenda.

Seguir as tendências sustentáveis do mercado

A população mundial está crescendo e, como dissemos, a consciência ambiental também está em evolução. É cada vez maior o número de pessoas que procuram por produtos que tenham origem menos agressiva ou oriundos de empresas que valorizem o bem-estar dos animais e o meio, prezando a minimização dos impactos ambientais.

Investir em nutrição de precisão

Investir em nutrição é o segredo para aumentar a eficiência alimentar e a produtividade dos animais. Com uma dieta precisa, focada nas necessidades de cada rebanho, é possível maximizar o desempenho do gado, diminuir a idade ao abate e produzir uma carne com qualidade à altura da exigência do consumidor.

Um bom exemplo disso é a técnica do Boi 777, desenvolvida por pesquisadores e produtores brasileiros, e que tem aumentado o faturamento dos pecuaristas.

As perspectivas para o mercado de carne bovina, assim como para os demais produtos agropecuários, dependem em grande parte do crescimento demográfico. Obviamente, elas acompanham a situação socioeconômica das populações, mas não devem ser descartadas as preferências culturais. Ainda que tímido, o crescimento da produção de carne vermelha é positivo e o mercado se mostra aberto a quem apostar em inovações.

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