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Na história da civilização, a participação dos animais baliza de forma categórica a evolução humana. Ainda na Pré-História, as transformações culturais e o aumento das comunidades conduziram o homem à domesticação de animais para a sua subsistência. Milhões de anos depois, a demanda global por alimentos faz urgente a adoção de medidas que inovem o sistema atual. Dentre essas condutas, a produção de carne sustentável demonstra ser o caminho mais apropriado.

Muitos produtores tornam-se avessos às propostas de mudanças quando se deparam com a palavra “sustentabilidade”. Porém, quando se compreende que a carne sustentável é o resultado de um sistema de produção que visa maximizar e otimizar o uso dos recursos — sem esgotá-los — percebe-se que as estratégias sustentáveis também geram economia e lucratividade para o negócio.

Nesse contexto, como a produção de carne sustentável funciona e qual a importância de tê-la no mercado? No quê ela difere da carne orgânica e como ela impacta a produtividade da fazenda? Continue a leitura do nosso artigo para entender!

O que é uma carne sustentável?

A definição de carne sustentável, na verdade, está implicada no conceito de produção sustentável. Ela é o resultado de um sistema de produção que foca no investimento às tecnologias que permitem uma maior eficiência no uso dos insumos e dos recursos naturais, bem como na administração dos resíduos gerados, baseado nos princípios da sustentabilidade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu, na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que desenvolvimento sustentável é “o sistema capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações”. Ou seja, é o sistema que funciona baseado em fontes renováveis, sem exaurir os recursos.

Em uma sociedade que tem hoje 7,6 bilhões de habitantes — com uma projeção de 10 bilhões em 2050 — é fundamental que o agronegócio invista em tecnologias que aumentem a capacidade produtiva dos animais e das forrageiras para suprir essa demanda alimentar crescente. Uma vez que não é possível simplesmente dobrar o plantel para atender à população, é preciso focar em alternativas para as criações.

Contudo, é importante ressaltar que essas mudanças são necessárias e urgentes, pois a negligência com as boas práticas de manejo sanitárias, animais e de pastagens pode levar o sistema todo a um colapso (o descaso com a renovação do solo, por exemplo, faz cair drasticamente a área cultivável da propriedade).

Qual a diferença entre carne orgânica e sustentável?

Ambos os produtos são provenientes de sistemas que prezam por valores ambientais, sociais e econômicos e, no que diz respeito ao aspecto físico da carne, ambas são semelhantes também. A diferença está no modo de criação e tratamento sanitário dado aos animais e na origem dos insumos que são oferecidos a eles.

A carne orgânica é produzida da maneira mais natural possível, sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento, utilizando somente aditivos naturais. Além disso, as pastagens e os complementos nutricionais são isentos de agrotóxicos na sua própria produção. Para que uma carne seja considerada orgânica, ela precisa ter certificações e passar pela aprovação do Ministério da Agricultura (MAPA).

Outra diferença é que o foco na produção de carne orgânica dessa maneira natural acaba por alcançar um teto na produtividade, uma vez que existem limitações para o aumento da produção. Além disso, esse tipo de carne somente está disponível a uma pequena parcela dos consumidores, os quais estão dispostos a pagar por seu alto custo.

A cadeia de carne sustentável, ao contrário, mantém as formas tradicionais de criação e investe em tecnologias para elevar a escala de produção, levando em conta que as práticas sustentáveis são aliadas nesse processo.

O que torna a carne mais sustentável?

Quando, em 1798, Thomas Malthus, em seu ensaio sobre a população, afirmou que a população cresce em descompasso com a produção de alimentos no mundo, ele não podia prever todos os avanços tecnológicos, os melhoramentos genéticos e a Revolução Verde que aumentaria drasticamente a produção de alimentos em todo o mundo.

Hoje, as inovações tecnológicas agropecuárias estão voltadas para que a produtividade se torne ainda mais alta, mas com alvo na eficiência dos recursos, ou seja, para evitar, ao máximo, o desperdício e potencializar a capacidade produtiva de todos os elos cadeia. Dessa forma:

  • o manejo das pastagens eleva a qualidade das forrageiras;
  • o melhoramento genético faz com que os animais tenham uma maior conversão alimentar;
  • a nutrição de qualidade promove um maior aproveitamento dos nutrientes;
  • o correto tratamento dos resíduos minimiza os impactos ambientais.

Permeando todas essas atividades estão as práticas de bem-estar animal, que atuam de maneira significativa na qualidade da carne e na produtividade do lote. Além disso, a carne sustentável também traz economia ao produtor, visto que, com maior aproveitamento e menor desperdício de insumos, o alto retorno dos investimentos é inerente ao processo.

Qual a relação entre nutrição animal e qualidade da carne?

A máxima “você é o que você come” é válida para suínos, bovinos, aves e todos os animais de criação. Isso significa que, quando o plantel recebe suplementação alimentar oriunda de matéria-prima de qualidade, ele tem melhores condições de produzir uma carne também de qualidade elevada.

Nessa questão, a tecnologia em nutrição animal permite que os nutrientes sejam mais bem absorvidos por cada uma das categorias produtivas do plantel. As estratégias nutricionais são estabelecidas de acordo com as necessidades de cada empreendimento, o que garante o resultado planejado pelo produtor.

Dessa forma, a nutrição animal trabalha junto à genética, à sanidade e à ambiência para que o animal possa — dentro da sua zona de conforto — produzir mais e melhor com menos desperdício.

O contínuo crescimento da população mundial exige um grande aporte de alimentos. Entretanto, a conscientização da população frente às questões ambientais e o perigo de colapso do sistema agroindustrial mostram a responsabilidade dos produtores e dos grandes empresários rurais nesse cenário.

É essencial atender a essa demanda, mas gerando uma carne sustentável — e acessível ao consumidor — com cadeias produtivas calcadas nos princípios da sustentabilidade.

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Este conteúdo foi produzido com a colaboração de Julio Henrique Emrich Pinto, Diretor de Negócios Nutrição​ da Vaccinar

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