A população mundial atingiu, em 2017, a marca dos 7,6 bilhões de habitantes. Para suprir a demanda alimentar, a agroindústria aposta em tecnologia com o objetivo de aumentar a produtividade. Contudo, é cada vez maior também a preocupação das pessoas com a qualidade dos produtos, bem como com o ambiente e o tratamento dispensado aos animais. Foi assim que, há alguns anos, percebeu-se que a melhor maneira de elevar os níveis de produção com sustentabilidade é investindo em bem estar-animal.

Nesse contexto, as cadeias produtivas de proteína animal avançam e aumentam a sua rentabilidade, focando em planejamento, infraestrutura e boas práticas de manejo. O resultado disso é um produto com qualidade elevada, gerado com o mínimo desperdício e boa entrada no mercado.

Mas o que é bem-estar animal e por que é importante prezar por ele? Quais são as melhores práticas que garantem o conforto e de que forma elas afetam a lucratividade do negócio? São essas as perguntas que respondemos neste artigo. Boa Leitura!

O que é bem-estar animal?

O bem-estar animal é, de maneira simples e objetiva, o estado em que os animais se encontram quando são fornecidas todas as condições para que eles vivam em sua zona de conforto. Independentemente da finalidade para a qual o animal é criado, as condições são ajustadas e controladas de tal modo que, dentro das suas necessidades específicas, eles sejam capazes de produzir mais e melhor, com qualidade de vida.

Cada espécie animal tem o seu metabolismo, suas carências e sua forma de responder ao mundo que lhe cerca. Portanto, em cada sistema produtivo (suinocultura, avicultura, pecuária etc.) as circunstâncias em que elas são mantidas e o modo como são manejadas serão diferentes.

Entretanto, todas essas conjunções são construídas com base nas mesmas premissas. E foi a FAWC (Farm Animal Welfare Comittee), grupo destinado a estudar e difundir os princípios do bem-estar animal, que instituiu as suas 5 liberdades. De acordo com a teoria, os animais devem estar:

  1. livres de medo e estresse;
  2. livres de sede e fome;
  3. livres de qualquer desconforto;
  4. livres de dor, injúrias e doenças;
  5. livres para expressarem seu comportamento natural.

Como surgiu a preocupação com o bem-estar animal?

Os primeiros estudos acerca do bem-estar animal tiveram início na década de 1960 e envolviam a criação de bovinos. Hoje, esse conceito é mais aprofundado e ampliado a todos os animais destinados a suprir as demandas alimentícias do ser humano.

Hoje se sabe que os animais são seres sencientes — capazes de sentir emoções, sejam elas boas ou ruins. Então, a maneira como eles são tratados nos criadouros é uma questão ética e humanitária. Além dessa crescente conscientização, as pessoas também estão cada vez mais exigentes com a qualidade dos alimentos que consomem.

Isso tudo se somou às evidências observadas que, quando os animais estão dentro da sua zona de conforto (isto é, vivendo sob condições de temperatura, umidade, etc., ideais para o funcionamento perfeito de seu metabolismo), eles produzem leite, ovos e carne em maior quantidade e de melhor qualidade.

Por que se preocupar com o bem-estar animal?

Uma vez entendido o conceito de bem-estar animal e que sejam aplicados os seus princípios, fica mais fácil perceber que, quanto melhor eles forem tratados e mais constantes forem os fatores externos a que eles são expostos, menos interferência haverá na produção. Ou seja, quando se mantém a ambiência da fazenda e se assegura a boa nutrição e o status sanitário aos animais, o desempenho é melhor.

As aves, os bovinos e os suínos criados hoje em dia são frutos de melhoramentos genéticos, que é o cruzamento entre linhagens para se adquirir um determinado atributo. Isso confere a eles uma maior plasticidade imunológica e fisiológica e uma grande capacidade de conversão alimentar, além de apresentarem algumas características desejadas (menor capa de gordura nos suínos, por exemplo).

Entretanto, o potencial genético dos animais só é atingido quando eles têm à sua disposição água limpa, nutrição de qualidade e adequada para cada fase do seu desenvolvimento, manejo da sua saúde e respeito ao seu comportamento natural. Isso tudo significa que garantir o conforto animal é a maneira mais certeira de produzir mais e melhor.

Quais são as boas práticas de bem-estar animal?

Mas, então, quais são as melhorias que devem ser implementadas na propriedade para assegurar o bem-estar animal? Veja a seguir algumas dicas de boas práticas para qualquer empreendimento do setor agropecuário.

Invista em boas instalações

Para que os animais possam usufruir das suas 5 liberdades, é fundamental que eles sejam alocados em ambientes com temperatura e umidade ideais (levando em consideração a idade), além de terem espaço suficiente para poderem se locomover e deitar.

Desde cochos no tamanho certo, bebedouros que não funguem e ventiladores que permitam uma boa vazão de ar a pisos de grade que não danifiquem patas e cascos, a tecnologia está presente nos equipamentos para prover e preservar o conforto animal.

Garanta uma nutrição de qualidade

Oferecer um alimento balanceado com todos os elementos que eles necessitam é uma das práticas de bem-estar animal mais cruciais para a qualidade do produto final. Quanto melhor for o alimento, melhor será a digestibilidade dos animais e maior será a sua eficiência alimentar, ou seja, a sua capacidade em converter os nutrientes em produto de qualidade.

Além disso, uma boa alimentação garante mais vigor e saúde, diminuindo a necessidade de medicações.

Mantenha o status sanitário

Os animais precisam estar saudáveis, com a vacinação em dia e serem tratados imediatamente ao surgir qualquer injúria. Animais doentes devem ser isolados e tratados separadamente dos plantéis e rebanho. A propriedade deve ser limpa e com controle de zoonoses, bem como os funcionários devem estar devidamente saudáveis e paramentados higienicamente.

Invista na capacitação da equipe

Investir na formação dos funcionários é muito importante. Todas as pessoas que lidam com os animais devem conhecer as particularidades das espécies, saber as boas práticas de manejo e serem capazes de agir com rapidez e eficiência frente a qualquer eventualidade.

Qual o impacto do bem-estar animal no negócio?

Num primeiro momento pode haver um aumento nos custos, uma vez que é preciso fazer aplicações em tecnologia (em infraestrutura, produção de alimento e sanidade). Porém, em longo prazo, o que parece gasto torna-se investimento, uma vez que as melhorias elevam consideravelmente a produtividade e a qualidade dos resultados. Dessa forma, a rentabilidade do negócio aumenta.

O emprego de tecnologia na cadeia produtiva também assegura o uso dos recursos de maneira racional. Assim, o produtor tem a certeza de que terá o aproveitamento máximo dos insumos, sem desperdícios e prejuízos.

Há uma parcela da população (principalmente o mercado internacional) que está disposta a pagar por produtos de qualidade superior e provenientes de um sistema de produção que leva em consideração as questões éticas e ambientais. O produtor que integra o planejamento empresarial à sua responsabilidade ética e ambiental trilha, certamente, um caminho de sucesso no agronegócio.

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Este conteúdo foi elaborado com a colaboração de Julio Emrich Pinto, Diretor de Negócios – Nutrição da Vaccinar.

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