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A principal meta de qualquer empresário é aumentar a produtividade e, claro, o lucro do negócio. Na pecuária não é diferente e, diante do crescimento populacional, desenvolver novos métodos que elevem a produção tornou-se o principal objetivo de quem atua no ramo. Uma técnica inovadora que tem feito pecuaristas quase triplicarem suas rendas é a chamada Boi 777.

A estratégia faz parte da pecuária de precisão que, assim como a agricultura e a nutrição de precisão, faz uso de práticas tecnológicas que permitem acompanhar de perto o desenvolvimento do rebanho. Com o auxílio de softwares, as informações são passadas em tempo real para o pecuarista, que pode tomar decisões mais acertadas para melhorar a produtividade.

Mas você sabe o que é exatamente o método do Boi 777? Por que ele tem sido cada vez mais explorado e como aplicá-lo na fazenda? Continue conosco e entenda!

O que é a técnica do Boi 777?

O método Boi 777 é um conceito de produção que tem como principal objetivo reduzir a idade ao abate e aumentar o peso da carcaça. A tecnologia envolvida no processo permite abater um boi com 21 arrobas em, no máximo, 2 anos. Isso porque a metodologia preconiza que o bezerro atinja 7 arrobas na desmama, 7 arrobas na recria e mais 7 arrobas na engorda — daí o nome Boi 777.

A técnica foi desenvolvida por especialistas da Agência de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) de São Paulo e tem revolucionado a pecuária de corte brasileira. O número de pecuaristas adeptos do Boi 777 é cada vez maior, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Rondônia e Pará.

Mas não é por menos, uma vez que o sistema acelera o processo e permite um giro e meio no período — ou seja, a cada dois ciclos do método tradicional, podem ocorrer três do Boi 777. O aumento da produtividade torna a atividade mais competitiva e, claro, mais lucrativa, já que, em média, os produtores brasileiros produzem um boi com 18 arrobas em 3 anos.

Quais são as suas etapas?

Antes de detalharmos as etapas do Boi 777, é preciso ressaltar que a técnica é um sistema em que as metas e protocolos são muito bem definidos na cria, recria e na engorda, independentemente do produtor ser responsável pelo ciclo completo ou apenas em uma das fases.

Queremos dizer que a principal mensagem do método é que o produtor busque estabelecer metas na sua atividade e execute um planejamento para alcançá-las, baseado em um diagnóstico preciso da sua propriedade. Por exemplo, o gestor pode, primeiramente, definir 5,5 ou 6 arrobas em vez de 7.

O plano de ação depende da situação atual da fazenda e dos recursos disponíveis e, por isso, devem-se verificar esses fatores para que não haja frustração no futuro. Além disso, é possível montar um plano factível e coerente que viabilize, inclusive, a mudança de estratégias.

Veja a seguir alguns pontos das etapas de produção do Boi 777.

1ª etapa — 7 arrobas no desmame

O primeiro passo, então, é realizar o diagnóstico da propriedade (se possível com o auxílio de um técnico) com um levantamento das condições das pastagens, das divisões dos pastos, da estrutura do cocho e da água (natural ou artificial), estrutura de curral e balança, protocolo sanitário, protocolo nutricional etc.

É preciso ter em mente que os bezerros serão desmamados com cerca de 210 kg aos 7 ou 8 meses de idade. Para que isso aconteça, os animais devem ter uma boa composição genética, e o produtor precisa ter boas práticas de manejo reprodutivo, além das sanitárias e nutricionais — dando-se especial atenção às matrizes e às vacas que estiverem em pré-parto.

A nutrição tem um papel crucial na técnica Boi 777, pois é isso que promove o desenvolvimento rápido, contínuo e eficiente. Nesse contexto, as pastagens devem ser de qualidade, oferecendo sal mineral e suplementação alimentar — principalmente para as matrizes e para as crias.

O creep-feeding — método que inicia a complementação alimentar na primeira semana de vida do bezerro, mas o mantém com a mãe — aumenta o ganho de peso na fase de desmame e favorece a maturação do rúmen. Para as fêmeas, esse sistema melhora o seu desempenho reprodutivo e antecipa a idade do primeiro parto.

2ª etapa — 7 arrobas na recria

A fase da recria é a mais longa do ciclo pecuário. Nos sistemas tradicionais, ela dura 24 meses, mas no Boi 777 a duração fica em torno de 10 a 12 meses. Geralmente, a criação de gado em pasto é trabalhosa no que diz respeito ao ganho de peso médio dos animais para fazê-los atingir as 7 arrobas dessa 2ª etapa.

Por isso, é importante compensar a produção sazonal da forrageira e maximizar o desempenho dos bovinos. Isso se consegue ao separar a recria em três estações: inverno (época da seca), verão (época das chuvas) e transição (águas – seca). Em cada período deve ser elaborada uma estratégia nutricional específica de suplementação.

3ª etapa — 7 arrobas na engorda

Nessa etapa, o boi recebe as últimas 7 arrobas do sistema, que figura a fase de engorda e terminação (acabamento da carcaça).  É preciso saber que, independentemente desse período acontecer com o rebanho confinado ou livre em pasto, o produtor deve fornecer ração de qualidade, que possibilite o melhor acabamento da carcaça, a boa deposição de gordura e a redução do tempo de abate.

Quais as vantagens desse método?

Chegando até aqui, é fácil perceber que a maior vantagem da técnica Boi 777 é a sua eficiência, não é mesmo? Com o ciclo mais rápido, o produtor consegue liberar áreas para os novos animais, aumentar o giro da operação e, consequentemente, elevar a produtividade. Como resultado, tem-se uma atividade pecuária mais sustentável, eficiente, produtiva e rentável.

Há um ganho econômico devido à redução dos custos e à melhor qualidade da carne e da carcaça — conferindo um ganho para consumidor também. Além disso, o Boi 777 tem potencial para aumentar em até 30% a lucratividade do negócio.

Como aplicar a técnica do Boi 777?

Após o diagnóstico da propriedade e da definição das metas, deve-se elaborar um planejamento para ser executado. Nessa esfera, todos os envolvidos precisam ter consciência da importância das suas próprias atividades — e que elas têm peso igual na busca pelas metas, isto é, o conjunto das suas ações traz o resultado esperado.

Para isso, o treinamento da equipe deve ser contínuo, e cada processo deve ser acompanhado constantemente. Assim, é possível verificar se o plano está sendo cumprido, e os objetivos, alcançados. Caso algo saia do percurso, o produtor consegue modificar as estratégias de forma precisa.

Vale ressaltar a importância dos registros das atividades e as anotações zootécnicas, principalmente do desempenho do rebanho. Com esses dados, o gestor verifica quais pontos na propriedade têm maior relevância para atingir a meta de produção estabelecida e, assim, criar um planejamento factível, de acordo com as limitações de cada propriedade.

Além disso, consegue observar as falhas e proceder, com rapidez, às ações corretivas sem que haja um prejuízo significativo na sua produção. O sucesso da atividade está, portanto, diretamente atrelado aos registros dos processos e à boa execução das tarefas pela equipe.

Lembramos que o método do Boi 777 não é restrito a grandes produtores. Pequenos e médios pecuaristas também podem aplicá-lo em suas propriedades, sem problema algum. Basta que o produtor tenha duas posições quanto à sua atividade: visão “fora da porteira”, entendendo o mercado consumidor e eficiência “dentro da porteira”, visando um animal jovem com melhor acabamento de carcaça.

Como vimos, o sistema Boi 777 traduz da melhor maneira o conceito de produtividade: produzir mais e melhor, em menor espaço de tempo. A técnica leva, certamente, a pecuária brasileira a um novo patamar, reiterando a competência e a habilidade dos nossos produtores.

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Este conteúdo foi elaborado com a colaboração de Newton Biffi, Assessor Técnico Bovinos de Corte da Vaccinar. 

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