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Inseminação artificial em suínos: como funciona e quais são as vantagens

Inseminação artificial em suínos
7 minutos para ler

A inseminação artificial em suínos é um método de reprodução animal que se baseia na introdução do sêmen do macho no sistema reprodutivo da fêmea, por meio de equipamentos, descartando a monta natural. A prática teve uma grande expansão na década de 1970 e, desde então, vem sendo aprimorada e amplamente utilizada no país.

A técnica confere uma série de vantagens à suinocultura, como o melhoramento genético e a redução de custos com reprodutores. Além disso, a metodologia para a execução do procedimento é bastante simples, mas exige cuidados para que seja eficiente. Por isso, é indicado que o produtor tenha o acompanhamento de um médico veterinário ou zootecnista.

Mas você sabe como funciona a inseminação artificial em suínos e quais são as suas vantagens para o negócio? Continue a leitura e entenda!

Como funciona a inseminação artificial em suínos?

O principal objetivo inseminação artificial é otimizar e maximizar o patrimônio genético dos reprodutores, contornando quaisquer empecilhos como incompatibilidade de tamanhos entre os animais e agressividade.

Cuidados com o macho

O primeiro passo da metodologia é fazer a coleta do sêmen do cachaço. O macho é estimulado (com a urina ou saliva da fêmea que está no cio e pressões no prepúcio) a montar em um manequim de metal e, quando expõe o órgão reprodutor, é possível coletar o ejaculado.

Depois disso, o material é levado para um laboratório para que possa ser analisado (verifica-se qualquer anomalia nos espermatozoides que possam interferir na fertilidade). Esse laboratório pode ser na propriedade mesmo, desde que tenha a estrutura mínima para receber o material: placa e platina aquecedora, microscópio, banho-maria e refrigerador.

O banho-maria e o material para aquecimento servem para evitar o choque térmico ao ejaculado, que sai do macho a uma temperatura de 37 °C. O sêmen deve ser utilizado em até 2 horas após a coleta, fresco (temporariamente refrigerado entre 14 e 17°C por, no máximo, 3 dias) ou, então, ser congelado, podendo ser utilizado por tempo indefinido e transportado por longas distâncias.

Cuidados na execução do procedimento

A inseminação só deve ser realizada em fêmeas que estejam no cio e recebendo o manejo nutricional adequado, bem como apresentem o peso ideal para a cobertura (matrizes que não tenham perdido muito peso na maternidade). Para verificar o cio das matrizes, passe com o cachaço na frente das baias nas horas mais frescas do dia, uma vez pela manhã, outra à tarde (alternando os machos).

Leve o macho até as matrizes para que a inseminação ocorra na presença dele (de preferência nariz com nariz), pois isso estimula a receptividade das fêmeas. Certifique-se, então, de que elas se deixam montar pelo cachaço ou apresentem reflexo positivo de tolerância do homem (RTH).

Uma questão de extrema importância na inseminação artificial de suínos é a higiene na hora do procedimento. Antes de fazê-lo, limpe toda a região genital externa da fêmea (vulva, cauda, ânus e toda parte que estiver suja). O recomendado é fazer uma limpeza a seco, mas caso você precise enxaguá-la e desinfetá-la, seque-a muito bem depois.

Faça uma higienização dos equipamentos e das suas próprias mãos também e use luvas descartáveis. Massageie os flancos da fêmea para estimulá-la, homogeneíze a dose de sêmen (que deve estar previamente aquecida a 37 °C) e retire o cateter da embalagem esterilizada. Abra a vulva da matriz e use um lubrificante não-espermicida para introduzir o cateter.

Faça isso de forma firme, mas gradativamente e com gentileza para reduzir o estresse e evitar qualquer dano ao aparelho reprodutor da matriz suína. Depois disso, o frasco contendo o sêmen deve ser acoplado na extremidade do cateter.

A inoculação deve durar de 5 a 10 minutos e é preciso ter cuidado nessa hora. Não faça pressão no frasco, pois isso pode provocar o extravasamento do ejaculado pela vulva. É importante também continuar estimulando a fêmea nos flancos e na região dorsal para facilitar o transporte dos espermatozoides pelo trato reprodutor.

Quando o frasco estiver pela metade, faça um pequeno furo na base para que a entrada de ar facilite o escorrimento do líquido seminal pelo cateter. Espere todo o conteúdo ser introduzido na fêmea e descarte todo o material utilizado no procedimento.

Quais as vantagens da inseminação artificial?

Como mencionamos, o melhoramento genético do plantel e a redução dos custos com reprodutores são as grandes vantagens da inseminação artificial em suínos. Afinal, em vez de ter um macho fecundando uma fêmea por vez, você consegue cobrir mais de 10 matrizes.

Veja outros benefícios que a técnica traz:

  • uso de sêmen de reprodutores geneticamente superiores e de alto valor zootécnico, o que agrega valor ao plantel;
  • maior aproveitamento dos bons reprodutores;
  • maior controle de doenças transmissíveis pela monta natural;
  • maior controle sobre a eficiência reprodutiva dos suínos, possibilitando que o suinocultor programe o nascimento das leitegadas e monitore o desempenho individual das matrizes;
  • é uma técnica simples, que precisa de materiais também simples para a aplicação, o que torna o método acessível para o custo de produção;
  • possibilita que o suinocultor faça investimentos em reprodutores de maior desempenho, já que dispensa os custos com a compra e a manutenção de muitos cachaços para atender o plantel;
  • possibilita maior homogeneidade nos lotes, devido à padronização das características produtivas e de carcaça selecionadas do reprodutor;
  • permite o controle da qualidade dos espermatozoides;
  • reduz o tempo e os esforços despendidos com os deslocamentos dos reprodutores;
  • possibilita o uso de machos muito maiores que as matrizes;
  • os dados de fertilidade e prolificidade são iguais ou superiores aos índices da monta natural;
  • viabiliza o manejo do desmame em lotes, devido à cobertura de um grande número de matrizes que entram no cio ao mesmo tempo.

Quais as desvantagens?

O método apresenta algumas poucas restrições, mas nada que não possa ser sanado, desde que se tomem as devidas precauções. Entre as desvantagens estão:

  • a necessidade de uma equipe capacitada para a coleta, análise e conservação do sêmen, bem como para a verificação do cio e a realização da inseminação;
  • caso não seja bem empregada, a técnica pode provocar lesões nas matrizes;
  • pode haver a disseminação de problemas genéticos (hipoprolificidade do macho, o que resulta em leitegadas pequenas ou doenças infectocontagiosas);
  • limitações de técnicas de conservação do sêmen fresco (que é viável por apenas 3 dias), devido à diferença do ajuste de temperatura das geladeiras comerciais;
  • necessidade de a propriedade dispor de infraestrutura adequada, tanto em relação à análise do sêmen quanto às condições de estradas e meios de comunicação.

Contudo, diante da quantidade de benefícios que o método proporciona, o uso da inseminação artificial em suínos já superou as discussões sobre as suas vantagens e desvantagens. Como você pôde notar, todas essas limitações são contornáveis, tornando a técnica acessível e oportuna para pequenos e médios produtores também.

Depois de devidamente inseminadas, as matrizes devem receber um manejo adequado para terem alto desempenho e gerarem leitegadas produtivas. Por isso, complemente a sua leitura e saiba quais são as boas práticas para a gestação de suínos!

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