A Legislação Ambiental (Lei 9.605/98) enquadra como de grande potencial poluidor a suinocultura. Por isso, o produtor que não cuida do manejo de dejetos líquidos, da emissão de gases nocivos e da poluição de mananciais pode ser responsabilizado pelos danos causados. Para isso, é essencial o alto padrão no manejo das práticas ambientais e na nutrição de suínos para o bem-estar animal e a lucratividade da fazenda.

Esse potencial poluidor da produção de suínos, combinado à alta demanda pela carne e seus derivados, faz com que seja prioritário um cuidado com a alimentação da criação, como forma de melhorar a nutrição e proteger o meio ambiente. A nutrição de suínos, quando avaliada a partir do consumo mundial por carne, mostra que é essencial o uso inteligente de recursos com maior eficiência.

A produção de suínos no Brasil e no mundo

No Brasil, a quantidade anual per capita de consumo de carne é de 78,11kg, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Já o consumo de carne suína é de 14,4 kg per capita.

A produção de carne suína no Brasil é, em grande parte, direcionada ao mercado interno (80,4%), enquanto 19,6% é encaminhado para exportações — de acordo com Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Dados de 2017 também apontam que foram produzidas 3.731 milhões de toneladas no país.

Para fornecer suínos de forma ambientalmente correta, a partir de uma relação adequada entre os objetivos produtivos dentro do potencial econômico, e os cuidados com a produção animal, é preciso seguir alguns cuidados. Muitos deles relacionados à nutrição de suínos. Confira!

A relação entre a nutrição animal e o meio ambiente

A suinocultura tem se intensificado sistematicamente, dado o estímulo ao consumo de carne suína e seus derivados. Inevitavelmente, como consequência dessa expansão da atividade, proporcionalmente ocorre um grande aumento de dejetos produzidos e lançados ao meio ambiente.

O tratamento ideal, bem como seu reaproveitamento, pode reduzir de modo considerável o impacto ambiental. Contudo, a quantidade e composição dos dejetos pode ser diretamente relacionada à quantidade e composição do alimento oferecido aos suínos.

Os principais componentes poluentes dos dejetos de suínos são:

  • nitrogênio;
  • fósforo;
  • microminerais, como o zinco e o cobre.

Portanto, com base nas informações de exigências nutricionais dos suínos, bem como conhecendo a qualidade nutricional dos ingredientes disponíveis, cabe aos nutricionistas a elaboração de dietas que promovam o adequado aporte nutricional, reduzindo de forma significativa a excreção de poluentes ao meio ambiente.

Mas por que acontece a perda de nutrientes nos desejos suínos? Entenda a seguir.

Fatores que afetam a perda de nutrientes nos dejetos suínos

Dentre tantos fatores que afetam a perda de nutrientes nos desejos suínos, podemos citar:

  • digestibilidade dos ingredientes;
  • composição nutricional de cada ingrediente;
  • digestibilidade dos nutrientes poluentes em cada ingrediente, bem como as tecnologias disponíveis para melhorar sua digestibilidade e aproveitamento;
  • níveis de exigência em suas diferentes fases de produção, assim como suas variáveis sexo e tipo de genótipo;
  • período do ano — com impactos devido à temperatura e umidade;
  • programa alimentar em uso;
  • sanidade;
  • instalações;
  • ambiência.

Pela perda de nutrientes na suinocultura, uma nutrição deficiente pode impactar de forma negativa o meio ambiente — gerando perdas econômicas e ambientais. Falaremos sobre esses riscos a seguir.

Os riscos de uma nutrição deficiente para o meio ambiente

Formulações inadequadas com baixo nível de conhecimento técnico, tanto de exigências nutricionais, bem como a composição do ingredientes que compõe uma ração, podem levar a perdas econômicas pela baixa eficiência de aproveitamento dos alimentos. Além disso, ainda podem causar a baixa eficiência de desempenho dos animais.

Além disso, como consequência negativa ao meio ambiente, a nutrição suína inadequada gera aumento da excreção de nitrogênio, fósforo, zinco, cobre, dentro outros contaminantes. É importante ressaltar que o aumento destes contaminantes no meio ambiente pode resultar no:

  • desenvolvimento desordenado de algas pelo excesso de fósforo e nitrogênio. A decomposição dessas algas consome o oxigênio dissolvido na água, o que compromete o desenvolvimento de peixes, crustáceos etc.
  • possibilidade de chuva ácida, causada pelo nitrogênio na forma de amônia;
  • morte de peixes, algas e fungos, pela existência de microminerais em níveis relativamente baixos;
  • comprometimento no desenvolvimento de peixes e algas, pela presença do zinco.

Adição de enzimas para maximizar o potencial dos animais

Mas, afinal, quais enzimas podem ser utilizadas para aumentar o potencial produtivo na suinocultura? Otimizar resultados e custos com a nutrição animal é possível com a adição de enzimas que melhoram a digestibilidade dos nutrientes. Além disso, tem impacto direto no meio ambiente.

A suplementação contribui para o máximo aproveitamento dos nutrientes e para a redução dos custos de produção. Podem ser utilizadas:

  • carboidrases em polissacarídeos não amiláceos (PNA), como celulases, b-glucanases, xilanases, pectinase, amilase e galactosidase;
  • proteases;
  • fitases;
  • lipases.

A nutrição suína pode ser utilizada, ainda, como ferramenta para reduzir os custos produtivos da sua fazenda e minimizar os impactos ambientais.

Nutrição de suínos na redução de custos e emissão de poluentes

A redução dos níveis de proteína combinada à suplementação de aminoácidos sintéticos nas rações pode ser encarada como uma opção para reduzir a excreção de nutrientes.

O excesso de proteína na ração, além de prejudicar o balanceamento entre os aminoácidos, gera um gasto adicional de energia para eliminar os aminoácidos excedentes, o que reduz a eficiência alimentar.

Sendo assim, a proposta do uso de aminoácidos sintéticos tem por objetivo otimizar a utilização da proteína da dieta, aumentando a relação entre consumo e retenção, e consequentemente, diminuindo a excreção de nitrogênio.

Os padrões de requerimentos nutricionais aminoacídicos para diferentes estados metabólicos, bem como o melhor conhecimento do requerimentos nutricionais, aliado à melhor avaliação do nutrientes e suas digestibilidades, permitem o trabalho com o conceito de “proteína ideal”. Para tanto, utiliza-se em maior escala de aminoácidos sintéticos, ferramenta que proporciona flexibilidade da formulação, reduzindo custos e emissão de poluentes ao meio ambiente.

Uso de enzimas na relação entre nutrição de suínos e meio ambiente

O uso de enzimas na nutrição tornou-se uma ferramenta indispensável. A sua escolha dependerá do processo de produção de cada fábrica, do ingrediente a ser utilizado e do objetivo em cada ração elaborada.

As enzimas proporcionam maior flexibilidade quanto à escolha do ingrediente. Nesse ponto, pode-se utilizar de mais opções de alimentos alternativos e em maiores quantidades na ração do que o usual.

Reduzindo a excreção de nitrogênio

A redução da excreção de nitrogênio reduz os impactos no meio ambiente. Isso acontece com a utilização de aminoácidos sintéticos (L-Lisina / L-Treonina / DL-Metionina / L-Triptofano etc) em substituição às fontes de proteína de uso comum, como o farelo de soja.

Esses aminoácidos possibilitam formulações com níveis mais próximos às necessidades do animais em suas devidas fases de produção, reduzindo desta forma a quantidade de proteína bruta (PB) da ração e a excreção de nitrogênio.

O potencial produtivo da suinocultura, assim como sua importância para a economia do país, são significativos. Por isso, é essencial focar em uma alimentação adequada e balanceada, o que interfere tanto no crescimento e na engorda dos animais, como no meio ambiente.

O que achou do nosso conteúdo? Agora que você já sabe quais os cuidados com a nutrição de suínos, aproveite para aprender mais sobre a importância das certificações na nutrição animal!

Este conteúdo foi produzido com a colaboração do Dr. Alexandre Alves Martins, médico veterinário e assessor técnico de suínos na Vaccinar.

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REFERÊNCIAS:

  1. WAGNER AZIS GARCIA DE ARAUJO; GABRIEL FONSECA SOBREIRA. Proteína ideal como estratégia nutricional na alimentação de suínos. Revista Nutritime, v.5, n° 2, p.537-545, Março/Abril 2008.
  2. FRANCISCO FIREMAN. Enzimas na nutrição animal. Engormix.com. 22/04/2013
  3. KARINA FERREIRA DUARTE. Nutrição de suínos X Meio ambiente. www.agrolink.com.br 08/06/2012

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