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A criação de suínos brasileira é reconhecida mundialmente. Ocupamos a 4ª posição tanto na produção quanto na exportação de carne suína. Mesmo bem posicionado, o mercado suinícola sofre constantes oscilações de preços, o que faz com que os produtores mudem as diretrizes e tracem novas metas para alcançar a eficiência produtiva desejada.

As Operações Carne Fraca e Trapaça colocaram em cheque as certificações de estabelecimentos brasileiros, comprometendo as transações com alguns países. A greve dos caminhoneiros também gerou prejuízos consideráveis, forçando os produtores a reverem seus quadros financeiros.

No entanto, o fim do embargo russo e a projeção de aumento das exportações para a China melhoram as perspectivas para os suinocultores. Segundo Ricardo Santin, diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o volume de exportações deve crescer de 2% a 5% em 2019.

Nesse cenário, quais são as estratégias em que os gestores podem investir para melhorar a eficiência produtiva na criação de suínos? Continue a leitura e descubra!

Quais técnicas grandes suinocultores têm utilizado e que dão certo?

Nos últimos anos, os suinocultores (junto a órgãos de pesquisa como a EMBRAPA) desenvolveram inúmeras tecnologias que ampliaram consideravelmente a qualidade da carne suína brasileira e, também, a produtividade dos sistemas de criação. As raças de suínos foram aprimoradas e as vacinas aplicadas garantem sua maior imunidade e consequente crescimento da produção.

A idade média de desmame reduziu de 42 para 21 dias e a de abate de 180 para 150 dias, aumentando a velocidade do ciclo produtivo. Além disso, os investimentos em nutrição animal, com rações desenvolvidas especificamente para cada categoria, maximizam o desempenho dos animais.

Porém, em meio a isso tudo, não se pode deixar de dar destaque às práticas de manejo animal. Responsável pelo sucesso econômico da criação de suínos, o conjunto de técnicas têm como objetivo organizar a criação, melhorar os índices zootécnicos e econômicos, orientar a aquisição de reprodutores e matrizes e melhorar o trato com os animais em todas as fases de criação.

O manejo reprodutivo envolve ações não só na área da reprodução como também na nutrição, sanidade e ambiência, pois a soma dessas medidas eleva os índices reprodutivos, perpetuando o negócio. Dessa forma, o começo de tudo está na aquisição de raças com alto valor genético.

Os cuidados durante a gestação influenciam diretamente na produção de leitões que, ao chegarem à fase de crescimento e engorda, também devem receber tratamento adequado.

Na maternidade, é essencial que haja um auxílio para que todos os leitões consumam a quantidade ideal de colostro, evitando mortes por inanição e aumentando a sua imunidade. A separação do plantel em um, dois, três ou até quatro sítios também tem influências sobre a produtividade do sistema. A escolha deve ser feita de acordo com as capacidades financeiras e metas produtivas do suinocultor.

Em todas as etapas da criação de suínos, as técnicas de manejo são decisivas para a eficiência produtiva, uma vez que a resposta dos animais depende das condições ambientais que são apresentadas a eles. Portanto, durante toda a cadeia de produção, os princípios do bem-estar animal e de biosseguridade devem ser levados à risca.

Por último, mas não menos importante, uma das técnicas que suinocultores de sucesso empregam em suas fazendas é a estratégia nutricional, estabelecida com precisão para os suínos. Afinal, sabe-se que a alimentação e nutrição dos animais pode ser responsável por até 70% dos custos de produção.

Uma dieta balanceada e adequada para cada fase produtiva promove o pleno desenvolvimento das suas funções e melhora, consideravelmente, os índices zootécnicos do plantel.

Quais as principais tecnologias na criação de suínos?

Entende-se como tecnologia toda a ação que promove a eficiência da cadeia produtiva em si. Dessa forma, o manejo sobre o material genético dos suínos (para o desenvolvimento de linhagens mais produtivas) e a formulação de dietas específicas entram como técnicas primordiais no sistema de criação.

Contudo, existem, claro, equipamentos modernos que facilitam e impulsionam o desempenho dos animais. Eles estão ligados diretamente à ambiência dos galpões e oferecem as condições ideais para que o plantel produza mais e melhor. Entre eles, podemos destacar:

  • cochos automáticos: em que a ração fica disponível à vontade para os animais, porém, evita-se o desperdício do alimento;
  • ventiladores: um dos mais importantes equipamentos para a criação de suínos, devido à dificuldade de termorregulação da espécie. Garantem o conforto térmico e a renovação do ar nos abrigos;
  • escamoteadores: abrigos com aquecimento artificial para os leitões em aleitamento, proporcionando, assim, conforto térmico para eles sem prejudicar o conforto da porca;
  • iluminação: os suínos apresentam maior ganho de peso quando expostos a 16 horas diárias de luz. Portanto, vale a pena investir em iluminação artificial;
  • pisos adequados: o piso dos assoalhos dos abrigos pode ser removível (facilitando a higienização) e resistente a produtos químicos para limpeza. Além disso, devem ter textura adequada de tal forma que não sejam lisos demais (para evitar derrapagem), nem rugosos a ponto de causar desconforto e lesões nos cascos dos animais;
  • decibelímetro: dispositivos que medem a pressão sonora são indispensáveis, pois os suínos são altamente sensíveis a ruídos e as suas vocalizações dizem muito a respeito do seu nível de desconforto.

Quais os indicadores de desempenho que devem ser acompanhados?

Peter Druker, pai da administração moderna, disse que “se você não consegue medir, não pode melhorar”. Dessa forma, os indicadores de desempenho são medidas quantitativas e qualitativas que avaliam a eficiência do sistema produtivo e têm como principal função revelar os pontos fracos da cadeia de produção.

Com isso, é possível analisar o que pode estar causando resultados indesejados e, com isso, tomar as devidas ações necessárias para mudar o rumo do negócio. Assim, são inúmeros os indicadores de produtividade — e podem ser esmiuçados para cada processo dentro de cada fase do sistema —, por exemplo:

  • produtividade das matrizes;
  • conversão alimentar;
  • ganho de peso médio diário;
  • mortalidade.

Como obter uma maior eficiência produtiva em sua criação de suínos?

Como você pôde perceber ao longo do artigo, diversas técnicas são utilizadas pelos suinocultores de sucesso para melhorar a produtividade da sua criação. Entre outras melhorias, as estratégias visam a diminuir a idade de abate, aumentar o número de partos por ano e gerar leitegadas numerosas e uniformes.

O horizonte é promissor para os suinocultores brasileiros que, há tempos, já perceberam que os esforços para incrementar todas as etapas do sistema de produção são recompensados. O mercado interno pode ser uma boa aposta, visto que o consumo de carne suína tem sido incentivado e aumentado gradativamente no país, com o apoio de campanhas de divulgação e desmistificação da criação de suínos.

Implementar as práticas que citamos nos tópicos acima — sendo estas resumidamente, escolha da genética ideal, manejo sanitário, conforto animal, biosseguridade e nutrição de qualidade — é a melhor estratégia que um gestor pode ter em sua produção. Investimentos nessas áreas são a receita para o produtor alcançar o máximo da eficiência na criação de suínos, reduzir custos e gerar o lucro desejado.

Para maximizar o desempenho do seu plantel, veja a importância da alimentação adequada no crescimento e engorda de suínos!

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Colaboração: Daniela Junqueira, especialista em nutrição de suínos da Vaccinar.

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