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Alterações nas normativas de proteção e de bem-estar animal estão levando a mudanças do manejo da gestação individual para sistemas de alojamento coletivo. As vantagens são muitas. Mas especialmente sobre a gestação de suínos, a adoção de boas práticas possibilita a oferta de alimentos mais seguros para os consumidores e torna esses sistemas de produção mais rentáveis e competitivos.

Na gestação de suínos, a Diretiva 2008/120/CE é considerada a orientação mais completa, com normas mínimas de proteção ao animais. As orientações abrangem referências de climatização, alimentação, piso e superfície para a criação desses animais. Além disso, a instrução é referência mundial para os produtores — não apenas pelos aspectos técnicos, mas pela definição de padrões mínimos de bem-estar dentro de um grande bloco de países.

Você sabe quais são as boas práticas para a gestação de suínos? Descubra, neste conteúdo, o que pode ser feito na gestão de fazendas para garantir o conforto e a segurança do animal durante essa fase.

Criação de suínos: valorização do bem-estar animal

O bem-estar animal tem se tornado um dos temas mais discutidos pela indústria produtora de proteína animal nos últimos 20 anos. Isso acontece por causa da preocupação do mercado consumidor com as condições de criação dos animais.

Por iniciativa dos próprios produtores, as condições em que os animais são criados estão melhorando sistematicamente no Brasil. Independente do sistema utilizado, é um caminho sem volta. Entre as boas práticas da gestação de matrizes suínas, estão:

  • superfície livre com área sem obstáculos para o movimento do suíno;
  • climatização, com uso de ventilação por pressão negativa e conforto das fêmeas;
  • pisos adequados, com qualidade e resistência.

Mas quais são as características da fase reprodutiva dos suínos? Entenda a seguir.

Gestação de suínos: conheça as possibilidades

Em síntese, a gestação é o período que vai desde a fecundação do óvulo até o parto. Utiliza-se preferencialmente a inseminação artificial em detrimento à monta natural, uma vez que ela possibilita o uso de sêmen de machos geneticamente superiores. Algumas vantagens são:

  • maior valor genético ao rebanho suíno;
  • melhor aproveitamento dos bons reprodutores;
  • mais controle da eficiência reprodutiva do plantel;
  • menores gastos com a compra e manutenção de machos reprodutores na criação.

Na porca, a gestação dura, em média, 115 a 120 dias. Ou seja: três meses, três semanas e três dias, embora haja casos de até 140 dias — ou partos prematuros de 108 dias. Essa variação pode estar diretamente relacionada à genética utilizada.

Na fase de gestação, existem diferentes opções de sistemas para o alojamento das matrizes. Alguns deles são:

  • gaiola de gestação individual,
  • sistema misto gaiola e baia;
  • sistema de baias coletivas com alimentação no piso ou comedouros;
  • baias coletivas com estação de alimentação.

A escolha do sistema a ser utilizado depende do objetivo da criação, do mercado consumidor cuja produção será destinada e, por fim, da competitividade do produto final.

Hoje, costuma-se usar o sistema confinado na criação de suínos em todo o mundo. Nesse cenário, os animais são mantidos dentro de instalações cobertas, sem acesso ao ambiente externo ou natural. Essa prática trouxe diversos benefícios para a produção, a exemplo do melhor controle zootécnico e sanitário dos animais, além da melhoria na produtividade e redução do custo de produção.

Como evitar perdas embrionárias

Para se evitar perdas embrionárias, é muito importante que as porcas não sofram nenhum estresse desnecessário durante a gestação, principalmente até 30 dias após a fecundação, período considerado um dos mais críticos.

Nesse sentido, o mais indicado é manter as porcas isoladas e em locais tranquilos e silenciosos, longe de qualquer possível fonte de estresse.

Naturalmente, quando está em gestação, a porca se alimenta melhor, melhora seu aspecto físico, recupera o peso corporal com facilidade e fica mais tranquila. Depois do segundo mês, todo o sistema mamário entra em atividade e as mamas ficam bastante desenvolvidas, permitindo que o criador se programe quanto à proximidade do parto.

Outro cuidado essencial a ser tomado com as fêmeas antes de serem levadas para a maternidade é a higienização do úbere e ventre, utilizando água morna e sabão. Isso ajuda a reduzir bactérias e outros agentes patogênicos que possam vir a causar infecções e diarreias nos leitões.

O parto na gestação de suínos

A duração média de um parto é de três a quatro horas, e o nascimento de cada leitão é precedido por contrações abdominais. As placentas podem ser expulsas juntamente com cada leitão, entre os intervalos de nascimento ou ao final do parto — sem que isso seja considerado um problema.

O intervalo fisiológico entre a expulsão de leitões não é fixo. É necessário observar o comportamento da matriz para definir a necessidade de intervenção. De toda forma, qualquer intervenção por parte do criador só deve acontecer em caso de extrema necessidade.

Por esse motivo, é muito importante saber reconhecer esses momentos para não realizar intromissões desnecessárias e, ao mesmo tempo, evitar a perda de leitões e fêmeas por negligência ao atendimento ao parto.

Desafios no momento do parto de suínos

A fadiga no momento do parto é uma das possíveis causas para a ocorrência de distocias e natimortalidade. O fato de o estômago e intestino estarem repletos de alimentos são agravantes desta situação.

Por isso, sinais como matrizes vomitando ou defecando durante o parto são indícios de que o manejo de alimentação no pré-parto não está adequado e precisa ser revisto.

Depois de finalizados os trabalhos de parto, aplicam-se os manejos indispensáveis com leitões recém-nascidos. Isso tem como objetivo reduzir a perda de calor corporal e direcionar os animais o mais rápido possível para a ingestão de colostro.

No mais, é fundamental que exista um comprometimento de todos os envolvidos no atendimento ao parto. O foco deve ser na imediata e máxima ingestão de colostro nas primeiras seis horas de vida do leitão.

Mas o que mais pode ser feito para uma boa gestação de suínos? Falaremos sobre isso a seguir.

Boas práticas: como obter bons resultados

As fêmeas que forem cobertas devem ficar em isolamento e observação até que se tenha certeza se estão prenhas. Por essa razão, o diagnóstico da gestação deve ser o mais preciso possível.

A observação de cada uma das matrizes deve ser feita diariamente, a fim de verificar se não houve o retorno do cio, abortos, alguma enfermidade ou presença de secreções. Após constatar a ausência de anormalidades até o 42º dia de gestação, é possível garantir que a fêmea está, de fato, em gestação.

Existe também a alternativa do exame de ultrassom, que pode comprovar com grande precisão a gestação — desde que seja feito, pelo menos, 30 dias após a cobertura.

Cuidados com a higiene

Durante a gestação, devem ser realizados procedimentos de higiene e controle de parasitoses. Isso garante fêmeas saudáveis na maternidade e um controle sanitário mais eficiente. Banhos sarnicidas e controle de verminoses são indicados, quando necessário.

Alojamento coletivo

A utilização de celas ou gaiolas para gestação de matrizes suínas tem grande aderência. Tal escolha é justificada pelas possíveis privações físicas e psicológicas pelas quais os animais passam nesse tipo de confinamento.

Entretanto, já se sabe que é possível melhorar essas condições de alojamento das porcas gestantes, mesmo em gaiolas individuais. Afinal, o alojamento coletivo permite mais interação entre as fêmeas do grupo.

Alternativas para o alojamento

Atualmente, existem alternativas economicamente viáveis para alojar as gestantes em grupos. As vantagens são melhoria da eficiência reprodutiva e da longevidade das matrizes, desde que manejadas de forma correta. Afinal, animais em equilíbrio social podem ser mais produtivos do que quando alojados em sistemas de gaiolas.

Por outro lado, para que essa prática de manejo (sistema misto de gaiolas + baias coletivas ou baias coletivas) seja implantada definitivamente, técnicos e agroindústria precisam de capacitação. Isso é importante de modo a ter o menor impacto possível para a cadeia produtiva.

Para tal, deve estudar os modelos viáveis, entender quais se adaptam melhor à realidade e à condição financeira da produção, além de estruturar uma transição progressiva e bem planejada.

Além disso, o manejo durante o período de gestação das fêmeas é essencial para o bom desenvolvimento das leitegadas. Isso também contribui para que os criadores obtenham bons resultados, menos perdas e melhores animais.

Outra boa prática na gestação de suínos é a questão da alimentação. Explicaremos melhor a seguir.

Nutrição: alimentação de suínos durante a gestação

A alimentação durante a gestação de suínos e especialmente no período de pré-parto é um ponto de atenção. A nutrição contribui para que seja alcançada uma excelente condição corporal da porca na entrada para a maternidade. Assim, é possível obter leitões de elevado peso e grande vitalidade, logo ao nascimento.

Para tal, é indicada uma nutrição diferenciada. Uma orientação é quanto ao fornecimento, uma ou duas vezes ao dia, de rações que contenham fibras — com balanço ideal de vitaminas e sais minerais. Além disso, devem ser utilizadas fontes de proteína de boa qualidade e que forneçam todos os aminoácidos essenciais para a formação do feto.

Em resumo, porcas que recebem uma ração balanceada (com todos os nutrientes essenciais para o período da gestação) produzem leitões maiores e mais sadios ao nascimento. É preciso, porém, controlar o ganho de peso durante a gestação de suínos. Esse fator prejudica a sua produção de leite e dificulta o parto e o ciclo produtivo, como um todo.

A importância do escore corporal

O ponto de partida para a avaliação nutricional na gestação de suínos deve ser o estado (escore) corporal da porca no momento da cobertura. Após estabelecido o objetivo no final da gestação, deve-se realizar uma estimativa das necessidades de manutenção.

Para tal, é primordial lembrar que durante a gestação acontece o crescimento dos leitões, placentas, glândulas mamárias e da própria porca. Além disso, a porca cresce progressivamente ao longo de toda a sua vida produtiva.

Benefícios da alimentação adequada na gestação de suínos

Uma alimentação adequada da porca ao longo da sua vida produtiva resultará em:

  • melhor taxa de partos;
  • prolificidade;
  • maior longevidade.

Outra vantagem é a obtenção de melhores resultados produtivos — maior número de leitões desmamados por porca ao ano e maior número de quilograma de carne desmamados por porca ao ano. Portanto, os investimentos feitos pelos produtores são melhor amortizados.

Por fim, pode-se afirmar que um dos grandes diferenciais das granjas de alto desempenho é a capacidade da sua equipe técnica de priorizar atividades dentro da rotina — e ter controle de tantos fatores que interferem nos pontos de maior retorno econômico.

Para atingir resultados satisfatórios, a função do setor de gestação de suínos é garantir alta taxa de partos e alto número de leitões nascidos. O setor de maternidade, por sua vez, precisa cumprir seu papel em relação à redução das perdas de leitões e à qualidade dos mesmos ao desmame.

Que tal conferir agora quais os principais cuidados na criação de leitões? Confira o artigo!

Este conteúdo foi produzido com a colaboração de Karina Ferreira Duarte, Especialista em Nutrição de Suínos da Vaccinar.

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