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A Peste Suína Clássica (PSC) é uma doença altamente infecciosa, tem elevada taxa de contaminação e frequentemente é fatal aos suínos. Conhecida também como febre suína ou cólera suína, ela afeta suínos domésticos e selvagens. A enfermidade é causada por um vírus RNA envelopado e pertence à família Flaviviridae.

A PSC foi identificada pela primeira vez no século XIX, mas sua característica viral foi estabelecida apenas no início do século seguinte. Neste conteúdo, separamos tudo o que você precisa saber sobre a doença, desde as formas de contaminação até prevenção e tratamento. Confira!

O que é Peste Suína Clássica?

A Peste Suína Clássica, apesar de não oferecer riscos à saúde humana ou afetar outras espécies animais, é uma das doenças mais relevantes entre as que acometem os suínos domésticos. Ela faz parte da lista A da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que doença é de notificação compulsória.

Essa lista A incluí doenças transmissíveis que apresentam o potencial para disseminação rápida e séria, independentemente de fronteiras nacionais. Também compreende as enfermidades que têm consequências socioeconômicas ou de saúde pública sérias e que são de grande importância para a exportação de animais e produtos de origem animal.

Atualmente, algumas das áreas ou países mais importantes na produção de suínos são livres de PSC. No entanto, apesar dos esforços para sua erradicação, a doença permanece endêmica ou recorrente em outras áreas.

Como acontece a contaminação da PSC?

A contaminação da Peste Suína Clássica normalmente acontece pela via oronasal. Fatores como a elevada densidade populacional, assim como a presença de porcos silvestres favorecem a propagação da doença.

Isso acontece porque eles são reservatórios do vírus. Além disso, o período de incubação tem variação de 7 a 10 dias — em casos de infecção experimental, o prazo é menor.

O vírus ataca células como:

  • endoteliais;
  • linforreticulares;
  • macrófagos;
  • epiteliais específicas.

Também é importante citar que nos casos de infecção pré-natal, o vírus afeta a diferenciação dos órgãos e leva a uma série de malformações, a exemplo de aborto, natimortos e mumificação fetal. Já em casos em que a infecção é pós-natal, os efeitos aparecem em danos sofridos pelas células endoteliais e trombose.

Como identificar a Peste Suína Clássica?

Os sinais clínicos apresentados pelos suínos afetados com PSC dependem tanto da idade do animal, quando a virulência da cepa envolvida. Inicialmente, é possível identificar nesses animais:

  • depressão;
  • febre alta (41ºC);
  • amontoamento;
  • conjuntivite;
  • leucopenia severa;
  • hemorragia e necrose das tonsilas;
  • eritemas;
  • hemorragia;
  • cianose em animais de pele branca.

Além dos sintomas citados, petéquias e hemorragia também são vistas nas mucosas e órgãos como baço, pulmões e rins. Também é possível perceber que os animais com sobrevida de 10 dias ou mais após o início dos sinais clínicos têm chances de desenvolver sintomas que venham a afetar o trato respiratório e intestinal — constipação seguida por diarreia.

Nos casos de infecção crônica, após o animal apresentar febre, ele apresenta recuperação transitória seguida de recorrência com febre, anorexia e depressão.

Em animais jovens, a taxa de mortalidade é significativa — ao contrário de animais mais velhos, em que a enfermidade pode se manifestar discretamente ou até mesmo ser subclínica.

Diagnóstico da PSC

O diagnóstico para a Peste Suína Clássica é feito com o isolamento do vírus em cultivo celular. Para isso, é utilizado o sangue, ou suspensão de órgãos do sistema linfóide.

A identificação desse vírus, que não é citopatogênico, é feita por meio do cultivo celular. São utilizados anticorpos específicos para tal. No entanto, essa é uma técnica lenta — podendo demorar até 7 dias para se chegar a uma resposta, após o envio das amostras ao laboratório.

Outras opções para o diagnóstico da PSC para detecção dos antígenos virais, são a a técnica de imunofluorescência, o teste de E.L.I.S.A ou a técnica de RT-PCR. De toda forma, a prevenção é a melhor abordagem para a Peste Suína Clássica, como veremos a seguir.

Como é feita a prevenção da PSC?

Para evitar a introdução da PSC em áreas livres, é primordial cuidar do bem-estar animal e seguir alguns cuidados essenciais. São eles:

  • o cercamento de toda a granja com tela de no mínimo 1,5 metro de altura;
  • a troca de roupa e calçados de todos aqueles que entram na granja.
  • a proibição ao acesso de veículos de transporte de ração e suínos.

Prevenção em propriedades de maior risco

Para realizar uma prevenção efetiva da PSC, é essencial que haja vigilância em propriedades de maior risco — como criações de javalis, suínos e suas cruzas (como o javaporco).

É indicado que a entrada e/ou movimentação de suídeos suspeitos de doenças ou oriundos principalmente do Estado do Ceará seja observada. Para tal, é importante que existam barreiras fixas em portos e pontões, lixões, estradas vicinais e transportadores das espécies suscetíveis.

Outro ponto importante é a orientação aos produtores sobre a proibição de uso de restos de alimentação humana para suínos. Esse material, sem o tratamento específico, constitui risco para reintrodução e disseminação de enfermidades exóticas no país.

Por essa razão, a Instrução Normativa nº 06/2004 do MAPA, que aprova as normas para a erradicação da PSC em todo o território nacional, proíbe, em seu artigo 23, a permanência de suínos em lixões, bem como a utilização de restos de comida para alimentação dos animais.

Atenção no contato com os javalis

É estritamente recomendado que seja evitado o contato com javalis e suas cruzas (javaporco) doentes ou encontrados mortos. Esses animais são importante fatores na disseminação da doença.

No entanto, vale salientar que o javali não faz parte da fauna brasileira. Por isso, é indicado comunicar aos órgãos de defesa agropecuária sobre a existência de criações sob cuidado do homem e/ou a presença desses animais extensivamente em sua região — visto que a PSC representa uma grave ameaça à suinocultura brasileira.

Como é feito o controle da PSC?

O controle da peste suína clássica é feito com o uso de vacinas atenuadas, baseadas na amostra chinesa do vírus. Elas são seguras para fêmeas gestantes. Seu funcionamento acontece a partir dos altos títulos de anticorpos neutralizantes.

Quando a vacinação em determinada área é inexistente, é possível utilizar procedimentos diversos para controlar os surtos. Alguns exemplos são:

  • eliminar suínos de rebanhos infectados;
  • investir causas epidemiológicas, clínicas e virológicas;
  • limitar a movimentação dos suínos vivos, da carne suína e de possíveis vetores.

Existe tratamento para a Peste Suína Clássica?

Não existe tratamento específico para a PSC. Uma das alternativas que auxilia no combate à peste é garantir que os suínos tenham uma alimentação adequada. A suplementação com compostos vitamínicos específicos e ácidos orgânicos é indicada. Essa solução contribui para o aumento da imunidade do animal e reduz os riscos de uma possível contaminação.

Nutrição animal no combate à PSC

Uma nutrição adequada faz parte do estado saudável do animal, pois fornece nutrientes essenciais para sua mantença e desempenho. As vantagens de uma boa alimentação são, por exemplo, a integridade intestinal (maior órgão imune do corpo), o que pode acarretar aumento da imunidade dos suínos. Isso significa que o animal ganha em resistência, reduzindo as chances de que ele contraia alguma doença.

Entretanto, o principal fator que requer cuidado para evitar o contágio da doença é o ambiente. Por isso, os produtores devem ter redobrada atenção aos locais de alojamento dos animais.

Assim como qualquer vírus, a PSC é transmitida por animais ou pessoas que estavam em um local que já apresentava o surto e, em seguida, foram visitar um criadouro sadio, sem seguir os procedimentos corretos de biosseguridade.

Enfim, por ser uma doença que apresenta graves consequências tanto para o fazendeiro quanto para a saúde pública, é essencial que sejam tomados os devidos cuidados, a fim de evitar possíveis casos de Peste Suína Clássica.

Agora que você já sabe o que é preciso sobre a PSC, conheça os principais cuidados na criação de leitões!

Este conteúdo foi produzido com a colaboração de Karina Ferreira Duarte, Especialista em Nutrição de Suínos da Vaccinar.

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