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Você já reparou que nos últimos anos alguns termos têm sido amplamente utilizados em diversos setores industriais? Esse é o caso do conceito da produção animal 4.0, que faz menção ao momento histórico que estamos vivenciando: a 4ª Revolução Industrial.

Enquanto a 3ª foi marcada pela introdução da robótica e dos sistemas computacionais na década de 1970, hoje a Inteligência Artificial é que assinala a evolução na cadeia produtiva.

Nesse contexto, a produção animal 4.0 se destaca por implementar tecnologias avançadas para aumentar a produtividade, dentro dos preceitos da sustentabilidade e do bem-estar animal. O tema é tão importante que, em 2020, ocorrerá o 1º Congresso Brasileiro da Inteligência Artificial na Produção Animal, dentro da programação da AveSui EuroTier South America.

Mas, afinal, como a tecnologia 4.0 participa na prática da produção animal? O que se usa hoje e o que vem por aí? Quais os benefícios das ferramentas para a agropecuária? Quem nos ajuda a responder essas perguntas é o professor Iran Oliveira, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA) da USP Esalq. Confira!

O impacto da tecnologia na produção animal

As estimativas da ONU afirmam que, em 2050, seremos quase 10 bilhões de habitantes no mundo. A grande preocupação do sistema produtivo, de maneira geral, é abastecer a cadeia mundial de alimentos, visto que teremos que produzir 50% a mais de alimentos para suprir a população.

Somado a isso, há a restrição do fator terra que, com a crescente conscientização social e a urgência em preservar o meio ambiente, coloca o agronegócio em xeque para maximizar a produção por unidade de área, aproveitando melhor os recursos naturais, sem esgotá-los. Além disso, é importante que se invista em sistemas alternativos para a criação de animais, que foquem o seu bem-estar e que considerem o conceito de Saúde Única (homem — animal — ambiente).

Nesse cenário, o sistema agropecuário tem dois grandes centros de atenção: reduzir as perdas ao longo da cadeia de produção e aumentar a produtividade.

É aí que a tecnologia 4.0 entra em jogo, como única solução possível para esse impasse. Por meio da Zootecnia de Precisão, o produtor consegue acompanhar com acurácia os índices zootécnicos e direcionar melhor os insumos para os animais — e, dessa forma, reduzir consideravelmente o desperdício, identificar os gargalos das perdas e impulsionar o potencial produtivo dos animais.

Entre diversos dispositivos tecnológicos como chips, sensores, drones, etiquetas RFID, leitores de códigos de barras, painéis de LED — todos conectados à Internet por tablets e smartphones — a inovação vai abrindo espaço no cotidiano dos produtores brasileiros que rastreiam o seu rebanho com exatidão e fornecem ração por meio da leitura eletrônica de cochos, por exemplo.

A produção animal 4.0 na prática

Essa conversa está parecendo muito futurista e distante para você? Pois saiba que há diferentes níveis de adequação à produção animal 4.0 no Brasil. O país tem uma diversidade muito grande de produções, de nível tecnológico e de nível econômico — no entanto, há soluções tecnológicas para todos esses diferentes níveis.

Então, para pequenos pecuaristas que estão fazendo sua transição para o novo modelo produtivo, informatizar a fazenda e ter um banco de dados já é um grande passo.

Por outro lado, existem fazendas que já têm o sistema da agropecuária 4.0 implantada. Por exemplo, alguns robôs atuam dentro da cadeia do leite, fazendo a ordenha das vacas na hora em que elas próprias desejam. O robô identifica por raio laser o teto da vaca, acopla e retira o leite, sem ninguém ter que conduzi-la e manejá-la.

Iran ressalta que existem outros sistemas inteligentes dentro das instalações que analisam por meio de imagens, por exemplo, o comportamento dos animais e, em função disso tomam decisões de ligar e desligar ventiladores, abrir e fechar cortinas, de acordo com o nível de luminosidade. A substituição das balanças convencionais pela análise de peso por imagens dos próprios celulares é outro bom exemplo.

Mas não são apenas aplicativos que fazem parte da produção animal 4.0. Variadas estratégias foram desenvolvidas para aumentar a produtividade e reduzir danos ao longo da cadeia. É o caso do Boi 777, que foca a nutrição dos bovinos para diminuir a idade ao abate, sem prejudicar a qualidade do produto. O método acelera o ciclo produtivo, reduzindo os custos e tornando o negócio mais competitivo.

As inovações no manejo genético do gado também são consideradas práticas altamente tecnológicas. Elas estão presentes nas fazendas pecuárias por meio da inseminação artificial, que confere inúmeras vantagens ao produtor, como a garantia de animais geneticamente superiores e o maior controle zootécnico do rebanho.

Deve-se considerar que as evoluções acontecem com muita rapidez nas cadeias de aves e suínos, de forma a agregar informações, tecnologias e garantia de qualidade ao consumidor final.

O uso da Inteligência Artificial na produção de animais

Além de toda tecnologia que já vem sendo empregada na produção animal 4.0, muito mais ainda há por vir. Iran nos explica que Inteligência Artificial, na verdade, se trata de ferramentas e modelos matemáticos que interpretam os sinais. Isto é, são softwares que analisam conjunturas de maneira semelhante ao raciocínio humano, diversificando em cenários preditivos para as diferentes condições de produção.

No que diz respeito à produção animal, isso vai além. Iran fala no desenvolvimento de um sistema capaz de captar, analisar e interpretar as vocalizações e as expressões faciais e corporais dos animais para identificar possíveis problemas (doenças) mesmo antes da percepção de um técnico — tudo isso em um futuro não muito distante.

O produtor terá um banco de dados desses sinais, que é delineado pelo parecer de um especialista e, de acordo com o som emitido pelo animal, o sistema traduzirá se é uma indicação de pneumonia, diarreia ou um animal sadio, por exemplo.

Com esses recursos todos em mãos, você percebe que as tomadas de decisões serão mais certeiras, principalmente com o auxílio da zootecnia de precisão.

As vantagens da produção animal 4.0

Você certamente já deve estar imaginando o quão revolucionário isso é, não é mesmo? Uma das principais vantagens da aplicação da Inteligência Artificial na agropecuária é que as suas ferramentas atuam no processo de reconhecimento dos gargalos da produção.

Ao mesmo passo, o produtor poderá trabalhar com uma grande quantidade de dados (Big Data) que serão mais acurados para as tomadas de decisão. Dessa forma, obviamente se reduz esses gargalos, pois as informações serão baseadas no histórico de cada fazenda e não em “achismos”.

Além disso, não se pode deixar de falar sobre os avanços na questão do bem-estar animal e da sustentabilidade do sistema agropecuário. Em um momento crítico como o que estamos passando, com grandes mudanças climáticas globais e a urgência em preservar biomas regionais, a tecnologia tem muito a contribuir para o agronegócio e para a sustentabilidade do processo.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto ao modo de produção da cadeia de alimentos e reforçam a necessidade de um sistema cada vez mais sustentável. O Brasil, como grande produtor e exportador de proteína animal e demais produtos agropecuários, tem enorme potencial para adequar as propriedades em modos absolutamente de acordo com os princípios da sustentabilidade.

Nesse cenário, os avanços em saúde e nutrição animal, ambiência e genética protagonizam essas mudanças ao elevar significativamente o desempenho dos animais. Novas pesquisas e tecnologias em vacinas, aditivos e suplementos representam uma valorização dos insumos, uma melhor digestão dos ingredientes, maior eficiência alimentar e, consequentemente, menor produção de excrementos.

Então, podemos listar os seguintes benefícios da produção animal 4.0:

  • otimização da produção;
  • redução de falhas;
  • mais acurácia na captação de dados;
  • mais precisão na tomada de decisões;
  • identificação e diminuição dos gargalos;
  • aumento da produtividade;
  • melhor aproveitamento dos insumos e recursos naturais;
  • redução nos custos de produção;
  • aumento no faturamento;
  • maior competitividade no mercado pecuário;
  • promoção do bem-estar animal e da sustentabilidade.

Não é pouca coisa, concorda? O futuro já chegou ao agronegócio, e a Inteligência Artificial vem para solucionar grandes problemas do sistema produtivo. As tecnologias já fazem parte do cotidiano das fazendas brasileiras, e a produção animal 4.0 sinaliza mais avanços dentro dos próximos anos.

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Colaboração: Dr. Iran Oliveira, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA) da USP Esalq.

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