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O confinamento do gado é uma das estratégias empregadas pelos produtores para, entre outras razões, contornar a escassez de nutrientes das pastagens na época seca e manter a performance dos animais. Nesse sistema, a dieta do tipo milho grão inteiro é uma alternativa para reduzir os custos com alimentação e aumentar a eficiência e o desempenho dos bovinos.

De modo geral, os grãos de cereais são a principal fonte de energia para animais terminados em sistema de confinamento, e essa dieta nada mais é que oferecer o milho sem nenhum tipo de processamento, como a moagem. Junto com os grãos, são oferecidos pellets com aditivos, vitaminas e minerais.

Esse método ainda melhora o processo digestivo dos animais pela diminuição do consumo de fibras. Mas de que forma isso acontece? Quais as vantagens da dieta milho grão inteiro e como ela tem aumentado a produtividade nas fazendas? Continue a leitura e entenda!

Por que o milho grão inteiro melhora a produtividade dos animais?

A meta de todo pecuarista é aumentar a sua produtividade, certo? Para isso, é preciso ter um amplo conhecimento sobre as exigências nutricionais dos bovinos, a biologia das plantas (para efetuar o manejo adequado das pastagens) e, claro, a fisiologia dos próprios animais. Dessa forma, é possível elaborar estratégias, tendo como objetivo obter o melhor dos insumos e maximizar a performance do rebanho.

Uma das grandes características evolutivas dos bovinos é a presença do rúmen no sistema digestivo — uma câmara colonizada por microrganismos que fazem a fermentação dos alimentos. Esse processo permite a assimilação dos nutrientes das plantas (que são de difícil digestão) e, principalmente, a produção de energia e proteína para o ruminante.

Contudo, para que a fermentação ocorra em harmonia, diversos fatores devem ser respeitados para que não haja o comprometimento da ação da microbiota. Um dos pontos importantes é fornecer uma quantidade mínima de fibras (mas não em excesso) que estimule a produção de saliva e faça o tamponamento do sistema — ou seja, que se mantenha estável o pH do trato digestório.

A queda do pH do rúmen provoca uma interferência no crescimento dos microrganismos, o que implica, consequentemente, na redução do aporte energético e proteico para o animal. O resultado você já sabe, não é? Comprometimento na saúde geral do rebanho e queda de produtividade.

A inclusão de milho grão inteiro na dieta desses animais entra para solucionar esse problema, ao explorar dois propósitos do cereal: fazê-lo fonte primária de energia e usá-lo como estímulo mecânico no rúmen. Uma vez que o grão do milho não é processado, a sua passagem pelo trato digestório é mais lenta, bem como a fermentação do amido, em comparação ao grão moído ou úmido.

Como consequência, os grãos inteiros estimulam os processos de ruminação na medida certa. Há uma produção ideal de saliva que leva à estabilidade ruminal e evita ou ameniza o surgimento de distúrbios metabólicos pela produção excessiva de ácidos no rúmen.

Como funciona o método da dieta sem volumoso?

Apesar de simples, essa estratégia nutricional deve ser planejada e bem-estruturada. Ela requer o seguimento de um protocolo de adaptação, além do oferecimento combinado de aditivos que garantam a seguridade alimentar, além das vitaminas e minerais necessários para os bovinos.

A proporção mais recomendada e comumente utilizada em uma dieta sem volumoso é de 80 a 85% de grão milho inteiro e 15 a 20% de pellet concentrado. Como você pode notar, trata-se de uma tática com alto teor energético, o que resulta em redução de consumo de alimento. Isso acarreta um melhor desempenho no ganho de peso e no rendimento da carcaça, levando à maior eficiência na conversão alimentar (135 a 145 kg de matéria seca ingerida/arroba).

No entanto, reforçamos que é necessário um período de adaptação dos animais, que seja muito bem-acompanhado. Devem-se respeitar rigorosamente as proporções na mistura e os horários de fornecimento, além de monitorar o consumo, o comportamento e as fezes dos animais. Esse controle permite que o produtor detecte rapidamente qualquer eventualidade e aja com a mesma agilidade, sem comprometer a eficácia do método nem a saúde do rebanho.

Cabe lembrar, também, que a adaptação ocorre conforme as particularidades da fazenda e do rebanho. Por exemplo, os animais que recebem suplementação a pasto apresentam maior afinidade com a dieta grão milho inteiro, assim como a disposição de alimentos no cocho e, portanto, sua adaptação tende a ser mais rápida.

A introdução dessa estratégia pode ser feita com o rebanho em pastejo ou já em confinamento (nesse caso, é preciso fornecer uma porção de forragem). De qualquer forma, em ambas as situações, deve-se iniciar oferecendo a mistura na quantidade de 1% do peso vivo (PV) e aumentar gradativamente, como a seguinte recomendação:

  • 1º ao 3º dia: 1% do PV do animal da mistura grão inteiro + pellet;
  • 4º ao 6º dia: 1,25% do PV do animal da mistura grão inteiro + pellet;
  • 7º ao 9º dia: 1,5% do PV do animal da mistura grão inteiro + pellet;
  • 10º ao 12º dia: 1,75% do PV do animal da mistura grão inteiro + pellet;
  • 13º dia em diante: fornecer a mistura conforme a demanda do animal.

Para os animais em campo, a mistura deve ser fornecida no pasto até que o consumo atinja 1,5 a 1,75% do seu PV. A partir de então, os animais são confinados e alimentados somente com a mistura.

Destacamos, também, que a adaptação deve ser realizada com o acompanhamento de um técnico especialista em nutrição animal, que fará as alterações necessárias no protocolo.

Quais são as vantagens de usar milho grão inteiro na dieta?

A dieta milho grão inteiro estimula o processo de ruminação e fermentação, resultando em maior eficiência na assimilação dos nutrientes pelos bovinos em sistema de confinamento. Dessa forma, podemos destacar as seguintes vantagens na utilização dessa estratégia:

  • praticidade no manejo (devido ao uso de poucos ingredientes);
  • dispensa a confecção e o manuseio de volumoso;
  • dispensa custo com equipamentos e infraestrutura sofisticada (moinho);
  • menor consumo de alimento comparado ao confinamento tradicional;
  • melhor conversão alimentar;
  • alta digestibilidade (pode chegar a 99%);
  • melhor rendimento e acabamento da carcaça;
  • redução do tempo de permanência no confinamento;
  • redução dos custos com mão de obra;
  • baixo custo operacional e baixo investimento inicial.

Essa estratégia nutricional é, portanto, muito produtiva. Contudo, a sua eficiência vai depender das condições da fazenda, da raça e da idade dos animais, bem como da sua adaptação ao alimento. Além disso, a qualidade do milho e a homogeneidade da mistura também influenciam diretamente no sucesso do método.

Por isso, a escolha pelo fornecedor de grão milho inteiro deve ser muito bem ponderada para que não haja riscos à integridade do rebanho e à sua produção. A equipe de especialistas em nutrição animal da Vaccinar desenvolveu um concentrado que possibilita a redução com os custos operacionais e maximiza o desempenho dos bovinos em sistema de confinamento.

Quer saber mais detalhes sobre o nosso produto e esclarecer dúvidas sobre a dieta? Entre em contato conosco para que possamos ajudá-lo! Teremos prazer em atendê-lo.

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Colaboração: Frederico Velasco – Especialista em Nutrição de Ruminantes da Vaccinar.

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