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Em 2018 o Brasil produziu 44 bilhões de ovos, representando um aumento de 11% na produção em relação ao ano anterior. Em torno de 95% desse montante é proveniente de sistemas convencionais de criação. Contudo, a população está cada vez mais consciente e envolvida com as questões éticas e humanitárias da indústria de proteína animal e, por isso, tem exigido alterações nos atuais moldes de criação, resultando no crescimento dos sistemas alternativos para avicultura (caipira, free-range, orgânicos).

Como resposta a esse crescente reconhecimento do público à necessidade de implementar práticas de bem-estar animal nas granjas, os gigantes desse setor da avicultura estão correndo para se adaptar às novas exigências. Para especialistas da área, o país tem todas as condições técnicas, científicas, econômicas e ambientais para instaurar qualquer sistema alternativo de postura e ser 100% viável.

Mas quais são esses sistemas alternativos de postura comercial? Por que o avicultor deve prezar pelo bem-estar das aves e encarar essas mudanças como aliadas ao seu negócio? Essas perguntas são respondidas neste artigo. Acompanhe!

Os benefícios do bem-estar animal

A ciência do bem-estar animal teve início na década de 1960 com estudos sobre as práticas de manejo com bovinos. Nos últimos anos, essas táticas se aprimoraram e se estenderam a todos os sistemas que envolvem criação de animais. Hoje, as cinco liberdades são amplamente conhecidas e, inclusive, exigidas em lei. Segundo elas, os animais devem estar livres de:

  • fome e sede;
  • desconforto;
  • lesões, doenças e injúrias;
  • medo e estresse;
  • para expressar seu comportamento natural.

Oferecer essas condições às aves significa ter responsabilidade ética, pela compreensão de que elas são seres sencientes (capazes de experimentar sensações). Porém, o produtor que investe em melhores condições de criação dos seus lotes percebe — no seu bolso — o impacto positivo que bons tratamentos causam ao negócio.

Aves submetidas a boas condições de ambiência e manejo produzem significativamente melhor. Uma vez que seus organismos gastam menos energia para reduzir os efeitos do estresse ou manter a homeostasia, a sua produtividade entra em ascensão.

Os sistemas convencionais de postura de ovos que mantêm em confinamento (em gaiolas de arame) as aves poedeiras são considerados por muitas pessoas um dos métodos mais cruéis contra os animais na cadeia produtiva. Para uma parcela da população, o modo como os animais são tratados está no topo dos critérios que influenciam a sua compra.

Essa evolução comportamental pressiona grandes empresas nos Estados Unidos, Canadá, Europa e América do Sul que, por sua vez, também anunciam mudanças. No Brasil, companhias como McDonald’s, Burger King, Bob’s, Subway, Spoleto, GRSA e Sodexo já declararam compromissos em adquirir somente ovos provenientes de sistemas alternativos para a avicultura de postura comercial.

Em vista disso, é urgente e crucial que os produtores busquem por soluções sustentáveis para os seus sistemas produtivos de alimentos.

Os sistemas alternativos para a avicultura de postura comercial

Os sistemas alternativos — ou cage-free — trazem mudanças quanto às dimensões dos galpões, bem como às proporções dos comedouros, bebedouros, ninhos, camas e poleiros. A densidade de aves não deve passar de 9 por m2 também. Veja a seguir:

  • comedouros: lineares 10 cm/ave, circulares mínimo 4 cm/ave;
  • bebedouros: contínuos 20,5 cm/ave, circulares 1 cm/ave, nipple ou copo 1:10 aves;
  • ninhos: simples 1:7 aves, agrupados 1 m2/120 aves;
  • poleiros 15 cm/ave (não podem ser dispostos sobre a cama, devem ter uma distância horizontal de no mínimo 30 cm entre os poleiros e de 20 cm entre a parede);
  • cama: área mínima de 250 cm2/ave (e ocupar 1/3 da superfície do piso).

Como você pôde perceber, o sistema cage-free não significa, necessariamente, que os produtores devam criar suas galinhas em campos soltos, mas sim que respeitem essas dimensões nos abrigos, proporcionando conforto e liberdade para as aves.

As vantagens do sistema alternativo e a mudança de paradigmas

Para implementar um sistema alternativo para a postura comercial, o avicultor necessita ter mais espaço, demandar mais atenção, cuidados e presença física da equipe na rotina de trabalho. O principal entrave para isso está justamente na mudança de paradigmas, de cultura e de organização de processos dentro da granja.

Contudo, existem companhias que estimulam a transição dos sistemas, buscando caminhos para tornar essas alternativas mais fáceis de serem operadas e que façam os produtores se sentirem confortáveis a realizar a migração para sistemas mais sustentáveis — e amigáveis, também, para a granja.

Essa transição para modelos cagefree elevam os custos para o produtor e, consequentemente, esse valor é repassado ao consumidor. Entretanto, existe uma parcela da população que está absolutamente disposta a pagar por isso — e essa parte está aumentando.

O importante é prestar atenção ao que o mercado está dizendo, como o consumidor deseja comprar. Acreditamos que esse é o ponto-chave que todo produtor deve ter em mente ao se questionar sobre fazer a transição para sistemas alternativos de posturas de ovos.

Outra vantagem que vale a pena ser destacada é que a produção alternativa de ovos proporciona a fixação da família no meio rural, tendo em vista o seu caráter meticuloso e a necessidade da presença humana nos cuidados aos animais. É uma alternativa, portanto, para as fazendas que não envolvem marido e mulher na mesma atividade, podendo ser uma fonte de renda constante para eles.

Os investimentos em melhorias na ambiência e no manejo animal geram impactos econômicos significativos para o avicultor. A adoção de boas práticas de bem-estar animal abrange questões ecológicas, sustentáveis e humanitárias. Além disso, é fato que elas incidem diretamente na qualidade do produto oferecido pelo avicultor e, como consequência, na rentabilidade do negócio.

Os sistemas alternativos para a avicultura de postura comercial são, portanto, o futuro da produção avícola mundial. Como grande produtor mundial, o Brasil não pode ficar fora dessa. O consumo per capita de ovos tem aumentado devido à procura por fontes alternativas de proteína animal e o avicultor que aproveitar essas tendências encontrará êxito em seu caminho.

Para se aprofundar mais nesse assunto, continue conosco e veja como melhorar o manejo de galinhas poedeiras em sua fazenda!

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Colaboração: Javer Alves Vieira Filho – Especialista em Nutrição de Aves da Vaccinar.

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