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A prática da criação de frangos no Brasil teve início tão logo os portugueses chegaram às nossas terras. Durante séculos, os animais foram mantidos soltos no campo e levavam cerca de 6 meses para atingir o peso ideal para abate.

Com o aumento da demanda populacional, a avicultura industrial começou a se estruturar em 1960 e o avanço das tecnologias impulsionou a cadeia produtiva significativamente. Hoje, o aperfeiçoamento da nutrição de aves é o ponto-chave para a alta produtividade.

O manejo genético — que possibilitou uma maior velocidade no crescimento —, o controle sanitário, a alimentação de qualidade e a preocupação com a ambiência nas granjas são os pilares do empreendimento avícola.

Contudo, as estratégias nutricionais são as grandes aliadas da produção, pois permitem que os animais expressem todo o seu potencial, com o máximo aproveitamento dos recursos.

Sabendo disso, quais são os mitos e as verdades sobre a nutrição de aves? Como o avicultor pode utilizar esses conhecimentos para alavancar o seu negócio? Continue a leitura do artigo e descubra!

O que é nutrição de aves?

A nutrição de aves é um campo de desenvolvimento da agroindústria que tem como principal objetivo oferecer as melhores condições nutricionais em termos de aporte e relação entre os nutrientes, dando condições para que as aves expressem todo o seu potencial genético.

Dessa forma, estratégias nutricionais são planejadas e ajustadas de acordo com as demandas nutritivas de cada categoria produtiva para que as aves produzam mais e melhor, em menos tempo.

Para tanto, utilizam-se técnicas de melhorias relativas à saúde intestinal com a adição de probióticos, prebióticos, enzimas e ácidos orgânicos e se reduzem o uso de promotores de crescimento e antibióticos na composição das rações.

A questão toda gira em torno de ampliar a eficiência alimentar das aves, para que elas convertam ao máximo os nutrientes que estão ingerindo em produtos de qualidade. Isso é feito, na verdade, aumentando a eficácia dos nutrientes. Ou seja, eles são mais digeríveis, o que os torna mais facilmente absorvidos pelo trato intestinal dos frangos.

Esse planejamento na alimentação gera economia, uma vez que há menos desperdício de insumos. Os frangos ganham mais peso em menor espaço de tempo (diminuição na idade de abate), há a redução no consumo de ração e maior rendimento de carcaça.

Como deve ser a composição das rações para nutrição de aves?

Na sua maioria, as rações para aves são compostas por cereais, como milho, sorgo, farelo de soja e alguns produtos resultantes do processamento do grão (soja integral extrusada), além de fontes de minerais e suplementos vitamínicos. Os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e as enzimas entram na elaboração do alimento como ferramentas nutricionais.

Cabe destacar que não há uma receita pronta, um modelo mágico para as rações. A composição das fórmulas varia de acordo com as necessidades de cada granja, com a idade dos frangos e com a meta de produção do avicultor.

O importante é que as matérias-primas utilizadas sejam monitoradas quanto à qualidade e à composição nutricional. Para as fases pré-iniciais, processos como a peletização podem refletir em melhorias na digestibilidade.

Tais técnicas quebram as moléculas de amido e proteína (antes muito longas e de difícil digestão) e fazem com que os nutrientes se tornem mais disponíveis para uma rápida absorção.

Quais os fatores que afetam a conversão alimentar em frangos de corte?

A conversão alimentar é um dos índices zootécnicos utilizados para estimar e monitorar o desenvolvimento dos lotes na granja. De maneira simplificada, nada mais é que a relação entre o quanto foi consumido pela ave e o quanto foi convertido em produto, seja em quilos de carne, seja em dúzias (ou massa) de ovos.

Na cadeia produtiva de proteína animal, existem alguns fatores que afetam essa relação entre consumo e produção. Consequentemente, eles podem impulsionar ou reduzir a performance dos animais (diminuindo, nesse caso, a eficácia das estratégias em nutrição de aves).

Por isso, o avicultor precisa estar atento aos seguintes pontos em sua granja:

  • genética: as matrizes são desenvolvidas para terem uma maior eficiência alimentar;
  • ambiência: as condições ambientais dos galpões influenciam diretamente no bem-estar das aves. Umidade controlada, zona de conforto térmico e manejo animal são elementos determinantes no desempenho dos animais;
  • sanidade: prezar pela higiene e biosseguridade da granja e seguir o programa de vacinação mantém as aves saudáveis e produtivas;
  • qualidade da matéria-prima: os grãos utilizados nas fórmulas precisam ter procedência conhecida e qualidade garantida.

5 mitos e verdades da nutrição de aves

É normal, na indústria avícola, que algumas informações sejam veiculadas na população, por anos. Entretanto, muito do que se diz não é real. Veja a seguir os maiores mitos e verdades da nutrição de aves.

1. Mito: frangos crescem com ajuda de hormônios

Mentira! Em nenhum sistema de criação (postura ou corte) se utilizam hormônios para promover crescimento. Primeiro, as moléculas de hormônio não são desenhadas para serem incorporadas às dietas e, segundo, essa prática seria inviável economicamente em produções de larga escala.

2. Verdade: frangos têm se desenvolvido devido à tecnologia de produção

O alto grau de produção que as aves conseguem obter se deve, portanto, aos avanços tecnológicos realizados na área, nutrição, sanidade e práticas de conforto animal e, claro, da genética, que desenvolveu linhagens adaptadas com a característica de produtividade acentuada.

3. Verdade: há maior segurança alimentar na produção

Existe muito investimento tecnológico nas áreas que garantem segurança, certificação e rastreabilidade dos produtos. Há, também, ferramentas de nutrição para fazer a projeção de cenários e estabelecer as estratégias nutricionais específicas para a propriedade. Somando a isso, equipamentos modernos permitem automação e a segurança alimentar.

4. Mito: cor da casca do ovo determina qualidade e tipo de criação

O que determina o sistema de criação são as práticas adotadas para produzir a carne ou o ovo (se são provenientes de galinhas livres de gaiolas – free range – , sem o uso de antibióticos ou promotores de crescimento etc.). Esses produtos precisam ter selo de certificação.

O que determina a cor da casca do ovo é a linhagem da galinha. Linhagens vermelhas produzem ovos vermelhos e estes são mais caros porque essas aves têm maiores necessidades nutricionais do que as galinhas brancas. Porém, o valor nutritivo dos ovos é o mesmo, sendo esse muito mais influenciado pela dieta e pelo tipo de criação do que pela linhagem.

5. Mito: galinhas botam mais de um ovo por dia

Não é verdade. A ave bota um ovo por dia, pois gasta de 22 até 26 horas para formação de um ovo, dependendo da idade dessa ave.

Como você pode perceber, a produtividade de uma granja está diretamente relacionada a fatores ligados ao potencial genético das aves, às práticas de bem-estar e, especialmente, à nutrição de aves. Quando o avicultor estabelece metas bem definidas, é possível desenvolver dietas estratégicas para impulsionar o desempenho dos animais e, consequentemente, a produção do negócio.

Então, nosso conteúdo foi informativo e esclarecedor para você? Que tal agora descobrir como utilizar as tecnologias a favor da criação de aves?

Esse conteúdo foi elaborado com a supervisão de Javer Alves Vieira Filho – Zootecnista e Especialista em Nutrição de Aves na Vaccinar.

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