Tipos de ordenha: conheça e entenda a diferença entre eles

Tipos de ordenha
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O leite é um dos alimentos mais consumidos no mundo, e o Brasil tem uma importante participação nesse cenário, ocupando a 4ª posição no ranking de produtores. Uma das razões que fizeram o país alcançar esse patamar foi a adoção de boas práticas de manejo em todos os tipos de ordenha.

Para atender à demanda do mercado consumidor e às exigências das novas diretrizes sobre produção de leite, os pecuaristas precisam inovar e garantir o acerto nas tomadas de decisão quanto ao procedimento central da sua produção. A boa condução na hora da ordenha evita contaminações e, dessa forma, não se compromete os investimentos realizados ao longo do ciclo.

Continue sua leitura, entenda quais são os tipos de ordenha e veja qual deles se adéqua melhor a sua propriedade!

 

Quais são os tipos de ordenha e suas diferenças?

Existem dois tipos de ordenha: o manual e o mecânico. Os dois métodos se diferenciam, basicamente, pelo uso ou não de um equipamento acoplado no úbere das vacas. Falaremos melhor sobre eles em seguida.

Antes de nos aprofundarmos mais a respeito deles, é importante destacar que a técnica escolhida não interfere na qualidade do leite, desde que todas as boas práticas de higiene de ordenha sejam seguidas corretamente. Variações na composição do leite que podem acontecer estão relacionadas  à nutrição dos animais ou a problemas de saúde e doenças e não ao tipo de ordenha. Assim, a contaminação por microrganismos está atrelada ao grau de higienização dos utensílios, dos tetos e do próprio ordenhador.

Na ordenha manual, o leite é retirado diretamente pelas mãos do tratador e posto em um balde. São necessários, de forma geral, poucos e simples instrumentos: peia para conter a vaca, banquinho para o tratador, balde, filtro e tanque de refrigeração.

Esse método é empregado por pequenos produtores, já que requer poucos recursos e, geralmente, o tamanho do rebanho não compensa o investimento em ordenha mecânica. Porém, exige mais mão de obra e resulta em baixa eficiência — exatamente o contrário do que a ordenha mecanizada proporciona.

Portanto, a escolha do sistema deve ser feita levando-se em consideração a infraestrutura da fazenda, o número de animais e funcionários, a produtividade (kg/dia de leite) e o aporte de capital para o negócio. Entretanto, já podemos mencionar que a ordenha mecânica oferece uma vantagem sobre a manual: a redução do estresse das vacas, devido ao rápido contato com o ordenhador.

Como todo produtor leiteiro sabe que apenas 25% da produção do rebanho é determinada por causas genéticas e 75% por causas ambientais, é crucial levar em conta o tipo de ordenha para interferir o mínimo possível nesse processo, garantindo bem-estar aos animais. Nos próximos tópicos explicamos como funciona a ordenha mecânica. Acompanhe.

Como é feita a ordenha mecânica?

A ordenha mecanizada é realizada com o auxílio de um equipamento que simula a mamada do bezerro, em um sistema de dupla câmara com pulsador, que permite a realização de dois ciclos, um de massagem e outro de extração ou ordenha propriamente dito. Esse sistema é mais eficiente, visto que é menos dependente de mão de obra experiente — embora seja necessária a capacitação do tratador para lidar com os equipamentos e utensílios. Para sistemas de vacas de alta produção, com animais de alto mérito genético, é indispensável a automação do processo de ordenha na fazenda, garantindo maior eficiência e controle do processo.

Além disso, o método possibilita uma retirada mais rápida do leite, o que resulta em maior volume por dia, caracterizando um sistema intensivo de produção. Ademais, se bem conduzida e de acordo com as boas práticas sanitárias, oferece menos risco de contaminação.

Quais são as técnicas de ordenha mecânica?

A ordenha mecânica é subdividida em dois tipos: balde ao pé e canalizada. Esta última é comumente realizada de três formas diferentes — espinha de peixe, tandem e lado a lado —, conforme a entrada e a disposição das vacas leiteiras nos galpões de ordenha. Veja a seguir.

Balde ao pé

O sistema balde ao pé e o mais simples e, também, o mais barato de ordenha mecanizada. As vacas são ordenhadas individualmente, e a produção é menos eficiente. Isso porque o leite é tirado e depositado em um recipiente ou latão para, só depois, ser transferido para dentro do tanque de refrigeração.

Em média, uma pessoa consegue ordenhar 15 vacas/hora. Se considerarmos a média produtiva da vaca de 10 litros, em uma ordenha de 3 horas, um tratador retira 450 litros de 45 vacas. Esse sistema é utilizado em produções de menor escala.

Canalizada

Na ordenha canalizada, o leite é retirado e depositado diretamente no tanque de refrigeração, por meio do sistema de canais. O leite, portanto, não tem contato com o meio externo e é menos manipulado.

O rendimento dessa técnica é maior, já que um ordenhador pode manipular 28 vacas/hora. Então, em 3 horas de ordenha, um tratador lida com 90 a 100 vacas e retira 900 a 1000 litros de leite, considerando o mesmo exemplo anterior, ou seja, vacas com produção média de 10 litros. Confira os três modos mais comuns de ordenha canalizada.

Espinha de peixe

Na ordenha espinha de peixe, as vacas ficam posicionadas em um ângulo de 33° em relação ao fosso de ordenha (em diagonal). Isso facilita a visualização dos tetos e do úbere e diminui o espaço necessário na lateral do fosso. As vacas podem ficar dispostas em apenas um ou nos dois lados do fosso.

Tandem

Na ordenha tipo tandem, as vacas ficam dispostas em fila indiana, uma atrás da outra. Como elas se posicionam paralelamente ao fosso, essa é a única técnica que permite uma ordenha mecanizada com o bezerro ao pé.

Entretanto, é difícil aplicá-la em rebanhos muito numerosos, já que é necessária uma sala comprida, o que dificulta o trabalho do tratador.

Lado a lado

Na ordenha mecanizada lado a lado, as vacas ficam dispostos perpendicularmente ao fosso, uma do lado da outra. Essa posição reduz o espaço necessário na sala de ordenha, mas, como o rebanho fica de costas para o fosso, a visualização completa dos tetos é dificultada.

Esses são os tipos de ordenha mais comuns em propriedades brasileiras. Ainda há o sistema em carrossel, em que as vacas são dispostas em uma plataforma giratória e recebem os equipamentos de um ou dois tratadores, e o sistema de ordenha robotizada, em que todo o procedimento (inclusive a limpeza do úbere) é controlado e realizado por robôs e computadores.

Esses sistemas têm uma altíssima eficiência, em que um grande número de vacas é ordenhado com uma redução considerável de mão de obra. Porém, requerem grande aporte de investimentos e, por isso, são raros no Brasil.

Agora você já conhece os tipos de ordenha e pode avaliar qual deles é o mais interessante para o seu negócio, dadas as particularidades da sua fazenda. Lembre-se de que nenhum deles interfere na qualidade do leite, desde que sejam seguidas as boas práticas de higiene na hora da ordenha.

O cuidado com a sanidade no momento da ordenha evita contaminações no leite e, também, afecções nos tetos das vacas, um dos grandes problemas do setor. Por isso, saiba agora o que é mastite bovina e como ela pode afetar a sua criação!

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Colaboração: Vitor Pereira Bettero – Especialista em Nutrição de Ruminantes da Vaccinar.

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