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A indústria pecuária de leite evoluiu significativamente nas últimas décadas. O desenvolvimento científico e tecnológico permitiu um aumento considerável no tamanho dos rebanhos e na produção individual em litros de leite. Entretanto, a criação de bezerras continua apresentando problemas nas fazendas brasileiras, muitas vezes por negligência do próprio produtor, que investe pouco nessa fase por não trazer lucro imediato.

Como consequência, a quantidade de animais jovens acometidos por doenças e parasitas, bem como a taxa de mortalidade nas propriedades são altas, causando grandes prejuízos à cadeia produtiva. Não tem outra saída: todo empreendedor rural que deseja manter seu negócio ativo e rentável precisa fazer um planejamento de longo prazo e focar na saúde, na alimentação e no bem-estar dos terneiros.

Mas você sabe quais são os maiores desafios na criação de bezerras e quais são as práticas de manejo que contornam essas dificuldades? Pois essas e outras perguntas serão respondidas ao longo dos próximos tópicos. Confira!

Quais são os maiores desafios na criação de bezerras?

Os desafios na criação de bezerras começam logo ao nascimento, pois é a fase em que se encontram mais vulneráveis às adversidades do ambiente. É necessário garantir o conforto térmico para que os neonatos não entrem em hipotermia e seguir à risca os procedimentos sanitários (como a cura do umbigo) para que o seu desenvolvimento não seja prejudicado, além de assegurar a ingestão de colostro. É por meio desse primeiro leite secretado pala vaca que o bezerro vai adquirir anticorpos e células do sistema imune.

Como eles estão expostos a muitos patógenos devido à imaturidade de seu sistema imune, o recomendado é que absorvam o colostro e sejam levados aos bezerreiros em no máximo seis horas ou o mais rápido possível. Dessa forma, o produtor tem mais controle sobre as condições de ambiência e salubridade e pode contornar as maiores dificuldades dessa etapa: prover o conforto animal e manter as bezerras afastadas dos riscos de infecções.

Obviamente, os desafios na criação não acabam por aí. Os cuidados com os animais até que se tornem futuras vacas de leite (responsáveis pela reposição do rebanho) ou sejam comercializados para corte (terneiros machos) devem ser constantes e levados muito a sério.

Como deve ser a criação de bezerras?

A desmama das bezerras é variável, pois depende do manejo realizado e do quão adaptados ao alimento sólido elas estão. Durante os primeiros 60 dias de vida, o leite é o melhor alimento, pois tem alto valor nutritivo e grande digestibilidade. Em algumas fazendas, o aleitamento dura até 90 dias, pois bezerros desmamados mais pesados podem ter menos problemas de adaptação com a retirada da dieta líquida e, consequentemente, maiores taxas de crescimento.

Para o desaleitamento, existem três critérios a serem analisados:

  1. consumo de concentrado;
  2. idade;
  3. peso do animal.

Essa avaliação é feita para cada propriedade e deve estar de acordo com os objetivos da fazenda. Caso o produtor não atente para a nutrição das bezerras nesse período, a subnutrição prejudicará sua vida produtiva.

Bezerros bem nutridos e com saúde serão mais produtivos quando adultos. Por isso, é essencial que desde o início seja oferecido um concentrado que atenda a todas as exigências nutricionais desses animais. Os compostos devem ser ricos em carboidratos não fibrosos e em elementos que ajudem no desenvolvimento do rúmen, promovendo uma boa digestão.

Essa é uma fase delicada da vida dos animais, uma vez que seu trato digestivo não está completamente desenvolvido. É nesse período que, mesmo após a colostragem ideal, eles estão mais suscetíveis a infecções por bactérias, vírus e protozoários causadores de diarreia e outras doenças. Esses agentes são combatidos com antiparasitários e antibióticos, mas é interessante procurar por fontes alternativas de tratamento para evitar resistência aos medicamentos — como óleos essenciais e probióticos.

Outro ponto extremamente importante na criação de bezerros é a manutenção do conforto animal e da consistência na rotina. Bezerros são sensíveis a alterações ambientais e também a mudanças cotidianas, como em relação à quantidade e à temperatura do leite, ao horário de fornecimento e aos tratadores. Modificações nessas rotinas podem estar associadas com o aumento da morbidade.

Como superar os desafios da criação de bezerras?

As bezerras devem ser monitoradas diariamente. Caso se perceba qualquer intercorrência, medidas de ajustes na dieta e no tratamento devem ser realizadas com rapidez. Veja a seguir como contornar os desafios nessa etapa!

Cuidados com a vaca gestante

Antes de mais nada, as vacas gestantes devem ser bem tratadas, alimentadas e preparadas para a lactação. Elas devem ser mantidas em ambiente confortável, pois qualquer estresse pode comprometer o desempenho do bezerro, e receber uma dieta balanceada que atenda às exigências nessa fase. A vacinação estimula a formação de anticorpos, que serão transmitidos ao bezerro por meio do colostro.

Manutenção da saúde e do bem-estar das bezerras

Manter o status sanitário da fazenda de forma geral é fundamental para a produtividade do negócio. De toda forma, as primeiras semanas de vida continuam sendo as mais críticas dos animais, pois seu sistema imunológico não está totalmente desenvolvido, o que os torna mais vulneráveis a enfermidades. É preciso cortar o cordão umbilical com material devidamente desinfetado e proceder à limpeza do umbigo por, no mínimo, 4 dias ou até a cicatrização completa.

Os alojamentos devem ser limpos, bem ventilados e secos para evitar problemas respiratórios, que consistem em uma das principais causas da mortalidade dos terneiros, e outras doenças. Além disso, nutrição de qualidade, água, sombra e local confortável para descanso asseguram o bem-estar dos animais.

Colostragem de qualidade

É crucial que o recém-nascido mame colostro de qualidade, com alta concentração de anticorpos e baixa concentração de bactérias potencialmente patogênicas. Normalmente, novilhas têm colostro com poucas imunoglobulinas, uma vez que foram pouco expostas aos antígenos durante a vida. Nesses casos, se for constatado que o colostro é de baixa qualidade, deve ser fornecido colostro congelado previamente, de qualidade superior.

O bezerro deve ingerir 10% do seu peso nas 6 primeiras horas de vida, período que as células do intestino estão altamente eficientes na absorção de anticorpos. Cerca de 20 horas após o nascimento, o nível de absorção diminui, mas recomenda-se que o colostro seja fornecido até o 3º dia.

Mudança na alimentação das bezerras

As bezerras devem mamar por pelo menos 30 dias, período que pode ser prolongado dependendo do estado do animal e das práticas de manejo de cada propriedade. Durante esse período, dependendo da estratégia de alimentação adotada, essa dieta líquida pode ser oferecida através do leite integral, sucedâneos, leite de descarte ou até mesmo uma mistura dos três.

O objetivo nessa fase é estimular o consumo de concentrado, que tem proteínas e nutrientes digestíveis, para suprir as necessidades nutritivas das bezerras e ajudar no desenvolvimento do rúmen. Ingerindo ingredientes de alta digestibilidade no concentrado, o animal passa pela transição do alimento líquido para o sólido com facilidade, podendo absorver e metabolizar os produtos finais da fermentação do rúmen funcional.

Treinamento dos funcionários

Nem sempre é dada a devida importância para a capacitação dos tratadores e funcionários que lidam com os bezerros. Entretanto, uma equipe bem formada, capaz de identificar problemas e tomar decisões rápidas, é fundamental para que todos esses desafios sejam superados e as práticas de manejo sejam executadas adequadamente.

Na pecuária leiteira, as bezerras representam a continuidade do rebanho e da sua produção. Além disso, cada nova geração é o resultado de cruzamentos feitos pela busca de melhores características genéticas. Portanto, os cuidados investidos na criação de bezerras significam maximização do desempenho, alta na produtividade e elevação dos lucros no negócio.

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Este conteúdo foi elaborado com a colaboração de Vitor Pereira Bettero, Especialista em Nutrição de Ruminantes da Vaccinar.

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