Todo gestor de fazendas tem como principal objetivo aumentar a produtividade. Para o produtor de gado leiteiro não é diferente. Contudo, nesse caso, a preocupação do pecuarista é traçar estratégias que façam as vacas produzirem não somente em quantidade, mas também em qualidade. Para garantir e alavancar a quantia e o valor nutricional do leite, oferecer sal mineral para bovinos é uma das práticas mais certeiras da produção.

Quando o assunto é maximização da performance do rebanho, é preciso ter em mente que os animais precisam de água de qualidade e em abundância, proteínas, energia, fibras, vitaminas e minerais. Porém, mesmo no sistema extensivo é necessário incluir na dieta dos animais esses nutrientes, pois o pasto brasileiro é deficiente em muitos deles e não atende a exigência nutricional dos ruminantes.

Mas quais são os nutrientes que fazem parte do sal mineral para bovinos? E qual a relação dele com a produtividade do gado leiteiro? Essas e outras perguntas são respondidas neste artigo. Continue conosco e entenda!

Qual a importância da suplementação com sal mineral para bovinos?

Precisamos deixar claro uma questão. Quando se fala em exigência nutricional dos animais, estamos falando das propriedades e da quantia de nutrientes que eles precisam para produzir mais e melhor.

Ou seja, há um aporte de nutrientes que representa o mínimo necessário para que o bovino permaneça vivo e seu organismo se mantenha em pleno funcionamento (mantença). Existe uma demanda — além desse valor de mantença — que é imprescindível para que eles respondam adequadamente às metas estabelecidas para a produção da fazenda.

Para que todos os processos metabólicos completem seus ciclos sem que um seja posto em detrimento de outro, a dieta dos bovinos precisa ser balanceada. A suplementação da dieta com sal mineral melhora a saúde dos bovinos de forma geral, uma vez que o seu sistema imunológico é reforçado, bem como o funcionamento do seu sistema digestivo.

Essas duas melhorias os tornam mais resistentes e produtivos, pois participam diretamente no seu crescimento e no aumento do seu desempenho. Os minerais conferem o aporte metabólico que melhora o processo de digestão do capim e da ração, além da absorção de nutrientes (favorece os tecidos do rúmen e toda a sua biota).

Isso impulsiona sua eficiência alimentar e aumenta a taxa de passagem (o tempo que o alimento gasta para atravessar todo o trato digestório). Assim, o rebanho atinge os melhores resultados, tanto na época das águas quanto no período da seca.

Cabe lembrar aqui que a acurácia da dosagem dos nutrientes é feita de acordo com as metas produtivas do pecuarista.

Qual a função dos minerais no organismo dos bovinos?

Os minerais são elementos que estão envolvidos em todas as vias metabólicas do organismo dos bovinos, desempenhando papéis essenciais nas suas funções fisiológicas vitais como: crescimento e manutenção de tecidos corporais, regulação de processos corporais e regulação do uso de energia dentro das células.

Tudo isso diz respeito ao seu desenvolvimento, crescimento e reprodução. Mas, afinal, quais são os nutrientes que compõem o sal mineral para bovinos e o que o seu déficit causa ao organismo dos animais? Veja a seguir.

Macronutrientes

São os elementos que os animais precisam em maior quantidade e, portanto, referidos em gramas: sódio (Na), cálcio (Ca), fósforo (P), cloro (Cl), potássio (K), magnésio (Mg) e enxofre (S).

O sódio é o elemento mais importante no meio extracelular (plasma), enquanto o potássio é o principal no fluido intracelular. Um ciclo conhecido como bomba de sódio e potássio permite o equilíbrio elétrico entre os lados da membrana celular, crucial para o bom funcionamento do sistema nervoso, muscular e cardíaco. O cloro é tratado em conjunto com o sódio, pois é praticamente impossível encontrá-lo sem estar ligado a outro elemento.

O cálcio e o fósforo são de suma importância para o desenvolvimento ósseo dos animais (representando 90% dos minerais dos ossos). Para o gado leiteiro, a cada 5 litros de leite produzidos, são eliminados 360 g de cálcio — daí a necessidade de repô-lo pela alimentação.

O magnésio tem participação na formação do esqueleto e é indispensável em outras reações bioquímicas. A deficiência dele causa lesões de pele, irritabilidade, calcificação de tecidos moles, disfunções musculares, retardo no crescimento e má-formação de ossos e dentes, além de levar à tetania das pastagens (desordens nutricionais).

O enxofre participa da síntese proteica (formação de aminoácidos). A sua carência leva à perda de peso, fraqueza, subnutrição, redução da síntese microbiana e morte. Quando a dieta dos bovinos contém ureia, a suplementação de enxofre é fundamental.

Micronutrientes

Elementos que os animais precisam em menor quantidade e, portanto, referidos em microgramas ou miligramas: cobre (Cu), cobalto (Co), iodo (I), ferro (Fe), manganês (Mn), selênio (Se), molibdênio (Mo) e zinco (Zn).

Os micronutrientes participam da composição de diversas vitaminas e estão associados à melhora na qualidade do casco, redução de células somáticas, melhora da queratina no úbere, entre outros benefícios. Seu déficit leva os animais a falhas no crescimento, perda de peso, degradação do fígado e menor resistência às enfermidades.

Quais os benefícios para a produtividade e para a qualidade do leite?

Chegando até aqui, você certamente já deve ter percebido os inúmeros benefícios que a suplementação da dieta com sal mineral para bovinos traz. Uma vez que suas rotas metabólicas têm meios para operarem com facilidade e suas funções vitais estão integralmente satisfatórias, o organismo dos animais pode focar em produzir leite em abundância e com qualidade superior.

As bezerras que se encontram em perfeito estado de saúde se alimentam melhor, têm sistema imune reforçado, crescem adequadamente e, quando adultas, produzem leite rico em nutrientes e em quantidades admiráveis.

Quais as boas práticas na suplementação do gado leiteiro?

Visto que, sem a correta suplementação alimentar por sal mineral, os bovinos não desenvolverão todo o seu potencial, as práticas na fazenda devem ser rigorosas quanto a isso. As necessidades variam de acordo com as metas produtivas do negócio, com as condições nutricionais da sua alimentação (pastagem e ração) e também com o estado e peso da vaca.

Geralmente, o consumo diário deve ser de 80 g a 100 g de sal mineral. Contudo, é altamente recomendado que o rebanho seja avaliado por um especialista na área para que ele possa indicar a melhor mistura para os animais. Além disso, o fornecedor de sal mineral deve ser idôneo e ter certificação no mercado.

Os cochos também necessitam de atenção. O ideal é que eles permaneçam cobertos, protegidos do excesso de água (para evitar que se empedre, comprometendo o consumo) — se os pastos forem extensos, que não superem a distância de 2,5 km entre eles. Contudo, vale destacar que a o sal mineral molhado pela chuva não é o pior cenário na fazenda, mas sim a falta de espaço linear no cocho.

O recomendado é oferecer, pelo menos, 6 cm lineares de cocho para cada animal atendido por essa estrutura. Dessa forma, todo o rebanho tem acesso à suplementação. Além disso, os comedouros devem, impreterivelmente, ficar próximos aos bebedouros.

Dada a importância da mineralização na dieta do gado leiteiro e o impacto positivo que ela tem na produção de leite, vê-se que essa prática tecnológica simples tornou-se crucial para a perpetuação da pecuária leiteira. Esse manejo tem um ótimo custo-benefício, pois aumenta os índices zootécnicos e eleva a qualidade do sistema produtivo. A suplementação com sal mineral para bovinos, portanto, é a chave para alcançar o sucesso das metas do produtor.

Além do sal mineral, a dieta do rebanho é de suma importância para a sua produtividade. Conheça, agora, quais são as melhores práticas de nutrição para o gado leiteiro!

____

Colaboração: Vitor Bettero – Especialista em Nutrição de Ruminantes da Vaccinar.

Escreva um comentário