Nutrição de precisão: o que é e como pode ajudar a ter eficiência na produção leiteira?

nutrição de precisão
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Você já se deparou com o conceito de nutrição de precisão? Embora possa ser decisivo na produção leiteira, muitas pessoas que atuam na área não conhecem profundamente as práticas e técnicas a ela relacionadas.

Levando isso em conta, produzimos este conteúdo especial sobre o tema. Ao longo do texto, você entenderá quais são as principais etapas envolvidas e como ela pode ser aproveitada em uma fazenda produtora de leite. Boa leitura!

O que é a nutrição de precisão e como ela funciona?

De modo resumido, é possível definir a pecuária leiteira de precisão como uma postura gerencial que recebe o apoio de tecnologias da informação e comunicação diversas. Tais recursos viabilizam a melhoria não só do controle da fonte de variabilidade animal, mas também da espacial. A partir disso, há como otimizar o desempenho de uma produção leiteira em todos os aspectos — sociais, ambientais e econômicos — oferecendo uma dieta capaz de atender às exigências nutricionais da criação.

Ou seja, trata-se da combinação de várias práticas e teorias que trabalham em conjunto. Para que essa eficiência na nutrição seja alcançada e proporcione melhorias para o rendimento econômico de sua propriedade, algumas etapas essenciais devem ser consideradas:

  • características dos animais e dos alimentos;
  • elaboração de dietas específicas;
  • mistura da alimentação e distribuição no cocho;
  • auxílio de tecnologias informacionais para monitorar todas as atividades;
  • seleção dos alimentos pelos animais.

O balanceamento da dieta de acordo com as vacas é indispensável. Afinal, isso permite que nutrientes não sejam jogados fora e também não deixa que os animais fiquem supercondicionados — isso levaria à perda de eficiência. Com esse controle devidamente estabelecido, problemas no parto e distúrbios metabólicos são evitados. Dessa forma, recomenda-se o agrupamento conforme as exigências apresentadas para reduzir as chances de cometer desperdícios.

Para que o planejamento seja executado de acordo com as expectativas, é importante contar com um sistema de gerenciamento a fim de identificar, analisar e controlar a variabilidade dos processos. Para exemplificar, as tecnologias de precisão utilizam, via de regra, sistemas de monitoramento por sensores. Eles podem ser descritos a partir de quatro níveis, tanto de desenvolvimento quanto de utilização. São eles:

  1. tecnologia (sensor): mede parâmetros individuais do animal, como o consumo de alimento, dando origem a um conjunto de dados;
  2. interpretação: resume as alterações observadas nos dados gerados pelo sensor com o objetivo de produzir informações relevantes sobre o animal, como possível lesões ou enfermidades;
  3. integração: a informação gerada é somada a outra informação, que pode ser de cunho econômico, por exemplo, para encontrar alternativas e soluções;
  4. decisão: pode ser tomada por quem administra a fazenda ou pelo sistema, de forma autônoma.

Dito isso, vale ressaltar uso de tecnologias de precisão está se tornando uma prática cada vez mais comum no setor leiteiro. Nesse cenário, entre os principais parâmetros monitorados estão:

  • produção;
  • composição;
  • consumo de alimento e de água;
  • condutividade;
  • temperatura;
  • detecção de cio;
  • problemas de casco;
  • presença de sangue e contagem de células somáticas do leite;
  • ruminação;
  • pesagem corporal das vacas.

Como aplicar a nutrição de precisão na produção leiteira?

Para conseguir formular dietas precisas e aprimorar sua produção leiteira, é preciso fazer a coleta frequente de várias informações, além de acompanhá-las, como mencionado. Nesse sentido, vale a pena dar atenção especial às informações relacionadas às características das vacas — peso vivo, produção e composição do leite e consumo de matéria seca exemplificam isso muito bem.

Não à toa, o agrupamento de vacas que têm exigências semelhantes é uma ferramenta de enorme importância para alcançar a precisão. É por isso que algumas práticas, como separar multíparas de primíparas e ter um lote de animais que se encontram em condição de pós-parto, trazem grandes vantagens para o manejo alimentar.

Para monitorar a variação na composição da TMR (ração total misturada), por exemplo, utiliza-se uma ferramenta conhecida como caixa de peneiras. Cada uma das amostras deve ser passada individualmente nas peneiras, de acordo com as recomendações do manual. Condições de mistura excelentes apresentam coeficiente de variação (CV) — valor médio das peneiras — entre 1% e 4%, ao passo que CVs de 5 a 8% indicam condições muito boas. Quando esse valor supera a marca de 10%, há algum problema na mistura.

Além disso, conforme publicado por Marina Danés na revista Leite Integral, o amido é a principal fonte de carboidratos não fibrosos para vacas leiteiras. Embora o nutriente seja geralmente utilizado para aumentar a densidade energética, sua inclusão tem um limite máximo por causa da manutenção do ambiente ruminal saudável. Sendo assim, monitorar o teor de amido da dieta é necessário.

Outras tecnologias que podem contribuir de maneira significativa para a formulação de dietas mais precisas são substâncias ou microrganismos adicionados à dieta de forma intencional, em doses controladas, que podem ocasionar mudanças metabólicas e influenciar o desempenho de modo positivo. O melhor exemplo disso é a monensina, que já teve seus resultados comprovados por experimentos científicos e testes.

Outra forte tendência nesse âmbito é a automatização da coleta de dados. Existem colares capazes de monitorar a mastigação e a ruminação, além de cochos com balança e ordenhas com analisadores de leite. Essas soluções não só proporcionam uma coleta mais rápida e bem estruturada, mas também geram indicadores precisos e confiáveis.

Quais cuidados tomar com a nutrição de precisão?

Antes de aplicar essas técnicas em sua propriedade, não se esqueça de considerar que os erros de amostragem podem comprometer de maneira grave a formulação da dieta e, por consequência, o desempenho produtivo dos animais. Se esses equívocos se tornarem recorrentes, eles serão capazes de mascarar problemas reais na composição dos alimentos — algo bastante negativo para os resultados.

Em silagens e outros materiais heterogêneos, cuja mistura é mais difícil, esse é um cuidado indispensável. Isso porque o painel de um silo tem grande variação em termos de composição nutricional, conforme a localização da amostra coletada. Deve-se realizar misturas com quantidades significativas do material a ser amostrado.

Apesar de complexa e repleta de detalhes, a nutrição de precisão é uma forma de reduzir os desperdícios em sua produção e, com isso, aprimorar os resultados obtidos.

Se você gostou do conteúdo, veja agora mesmo algumas boas práticas de gestão rural para aplicar em sua fazenda!

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