Manejo de pastagem ao longo do ano: as melhores práticas

11 minutos para ler

O pasto verde e farto é um colírio para os pecuaristas. E com razão, visto que a nutrição é fator determinante para maximizar o potencial genético do rebanho. Contudo, é comum encontrarmos fazendas com índices de produtividade aquém do esperado — inclusive na época das chuvas — principalmente devido à ausência do manejo de pastagem.

O adequado manejo do pasto é extremamente importante e essencial para assegurar a eficiência e a sustentabilidade do sistema de produção. Quando realizadas da maneira correta, as intervenções proporcionam o aumento da produtividade de leite e de carne, e tem-se o aproveitamento máximo dos recursos, juntamente à prevenção de erosões e da compactação do solo.

O manejo do pasto consiste na adoção de práticas muito simples que auxiliam o produtor a aumentar a eficiência da sua produção, muitas vezes, sem custos adicionais. Para tanto, é essencial ter conhecimento sobre as condições ambientais da região, bem como sobre a biologia da forrageira e o comportamento dos animais.

Assim, o gestor escolhe o sistema de manejo e elabora um planejamento que garanta uma dieta rica para o gado ao longo do ano todo sem o comprometimento do pasto. Mas como contornar a sazonalidade e aproveitar o máximo das forrageiras? Continue conosco, pois é sobre isso que falaremos a seguir.

O que é o manejo de pastagens?

Em resumo, o manejo de pastagens é o conjunto de intervenções que tem como objetivo atingir a maior quantidade de carne e leite por área, sem prejudicar o desenvolvimento do pasto nem a qualidade do solo.

Dessa forma, oferta-se alimento em abundância para os animais, com produção constante de forragem por unidade de área, conservando a qualidade do solo e, como consequência, evitando a degradação da pastagem.

Basicamente, existem dois sistemas de manejo de pastagens. Veja a seguir:

Sistema de pastejo contínuo ou lotação contínua

Nesse sistema, o rebanho permanece na mesma área de pasto durante o ano todo. É utilizado quando as forrageiras são nativas ou naturais, e sua taxa de produtividade é baixa.

Sistema de pastejo rotacionado ou lotação rotacionada

Nesse caso, o pasto é dividido em piquetes (subdivisões da pastagem), que são utilizados de forma sequencial, sendo definidos os períodos de ocupação (quando o gado está consumindo determinado piquete) e o período de descanso (quando o gado não está em determinado piquete).

Essa prática permite que a forrageira se recupere do pastejo e do pisoteio e seja consumida novamente no futuro. O sistema tem alto índice de produtividade, principalmente quando são utilizadas pastagens de alta produção, como as do gênero Cynodon, Panicum e Brachiaria.

O produtor precisa ter em mente que o manejo de pastagem é, essencialmente, a administração de duas necessidades conflitantes: a da planta, que precisa das suas folhas para se desenvolver, e a dos animais, que precisam dessas mesmas folhas para a sua dieta.

Como resolver esse embate? A resposta é simples: aliando o comportamento dos bovinos ao período de maior produtividade da forrageira. Falaremos sobre isso a seguir.

Como fazer o manejo das pastagens na época de chuva?

No Brasil, a época das chuvas ocorre entre outubro/novembro a março/abril. Esses meses são marcados pela estabilização do regime pluviométrico, pelas temperaturas elevadas e pelo fotoperíodo longo. É o momento em que as condições ambientais estão extremamente favoráveis para o desenvolvimento e o crescimento rápido das plantas e, portanto, o produtor deve aproveitá-lo.

Como mencionamos, o sucesso da produção está na entrega de um pasto com alto valor nutritivo ao mesmo tempo em que se mantém a produtividade da vegetação. É sabido que os bovinos preferem plantas com folhas verdes e jovens e que evitam as mais envelhecidas , com folhas e colmos fibrosos. Eles buscam, simplesmente, por alimentos que facilitem o seu bocado.

Além disso, o amadurecimento das plantas resulta na diminuição do seu valor nutricional e no tombamento da vegetação, que também não é consumida pelos animais nesse estado.

Ora, com essas informações, fica evidente que o melhor período para o gado entrar no pasto é quando há o máximo de acúmulo de folhas verdes, e não quando há maior altura do pasto. O pastejo rotacionado permite que os animais tenham acesso às plantas em seu momento mais nutritivo, durante toda a estação. Isso porque há um maior controle sobre o ponto de colheita ou ponto de pastejo do pasto.

O pastejo rotacionado

A prática da rotação do pastejo baseada em dias fixos tem se mostrado ineficiente, pois depende da época do ano e das condições de crescimento das plantas, o que leva a perdas na qualidade e na quantidade de produção da forrageira.

Para contornar esse cenário, a estratégia que tem apresentado melhores resultados é a rotação de pastejo baseada na altura do pasto, onde o pastejo da forragem é realizado no momento ótimo. Nesse caso, semanalmente, o produtor deve utilizar uma régua para medir a altura das plantas que estão no período de descanso, visando acompanhar o desenvolvimento do pasto e identificar o momento em que o piquete esteja nas condições ideais para receber o rebanho.

Cada forrageira tem seu tempo de desenvolvimento e sua altura específica para o pastejo. O produtor fazendo uso do parâmetro da altura de pastejo irá verificar e perceber as mudanças que ocorrem na arquitetura da vegetação: no momento em que as primeiras folhas começarem a se dobrar, e a pastagem, a perder o aspecto de folhas espetadas, atingindo o alvo de manejo de altura para a forrageira, deve-se providenciar a entrada dos animais na área. Veja a seguir as alturas recomendadas para cada forrageira:

Alturas recomendadas para cada forrageira, em centímetros.
Capim Entrada Saída (maior fertilidade) Saída (menor fertilidade)
Marandu 25 cm 15 cm 20 cm
Xaraés 30 cm 15 cm 20 cm
Piatã 35 cm 15 cm 20 cm
Decubens 20 cm 5 cm 10 cm
Humidícula 20 cm 5 cm 10 cm
Massai 45 cm 20 cm 30 cm
Mombaça 90 cm 30 cm 50 cm
Tanzânia 70 cm 30 cm 50 cm
Zuri 75 cm 30 cm 40 cm
Aruana 30 cm 10 cm 15 cm
Estrela 35 cm 15 cm 25 cm
Tifton-85 25 cm 10 cm 15 cm
Andropogon 50 cm 25 cm 35 cm

A época das águas também propicia o surgimento de plantas invasoras e pragas na pastagem pasto . Por isso, além de fazer o controle da altura da forrageira, o produtor deve adotar as seguintes práticas:

  • monitorar o crescimento de plantas invasoras;
  • monitorar a ocorrência de pragas na vegetação (como cigarrinha-das-pastagens, percevejos e lagartas);
  • realizar a adubação para manter o solo fértil e, consequentemente, a máxima produtividade do pasto.

Como fazer o manejo das pastagens na época de seca?

A época de seca é marcada pela ausência de precipitação e menor disponibilidade de água no solo, o que impossibilita a rebrotação do pasto nesse período, não havendo acúmulo de forragem e em consequência disso, menor capacidade de suporte das pastagens. Essa sazonalidade na produção de pasto evidencia que a lotação das pastagens deve ser reduzida antes que se inicie o período de seca e todo o planejamento para este período deve ocorrer ainda no período das águas. Caso contrário, a falta de pasto comprometerá o consumo, o desempenho animal e a produtividade da fazenda.

É preciso evitar que os animais percam peso, pois, na estação chuvosa, qualquer ganho indicaria apenas a recuperação do que foi perdido. Nesse sentido, a preparação para o período de seca é fundamental para o manejo de pastagens nessa época do ano. Veja a seguir quais são as estratégias para se preparar esse período.

Venda programada de animais

Antes que se inicie o período das águas, meados de outubro/novembro, com um simples levantamento do rebanho da fazenda, com peso e quantidade de animais lote a lote, é possível estimar o peso previsto para cada categoria animal até o final do período das águas e, assim, traçar um plano nutricional para cada lote de animais em específico e, se necessário, potencializar o ganho de peso com uso de estratégias de suplementação mais intensivas. O objetivo desse levantamento é reduzir a carga animal da fazenda (peso total animal) até meados de março/abril, vendendo mais animais no período chuvoso e diminuindo a pressão de pastejo (carga animal/área de pasto), ficando na fazenda apenas as categorias animais de menor peso corporal, menor exigência corporal e menor consumo de forragem.

Vedação de pastagem

A vedação de pastagem para uso no período de seca é uma prática para aumentar a oferta de forragem de forragem para os animais neste período. Consiste em retirar os animais de uma área de pasto entre 40 a 60 dias antes do período de seca, permitindo acúmulo de forragem quando ainda há potencial de crescimento do pasto para uso em pastejo no período de seca. Recomenda-se vedar em média 20 hectares para cada 20 unidades animais (1 unidade animal = 1 animal de 450 Kg). Para aumentar a eficiência de pastejo da área vedada, recomenda-se pastejar uma parcela da área total vedada a cada mês de seca, ou seja, se a seca tiver 4 meses de duração, o pastejo da área total vedada deverá se feito em 4 parcelas ou 4 piquetes.

Adubação estratégica

A adubação da pastagem como preparação para acumular forragem para seca é também uma estratégia de manejo para aumentar a oferta de forragem para os animais nesse período. A adubação permite acelerar o crescimento da forrageira e acumular maior quantidade de forragem na pastagem. Pesquisas brasileiras estimam que para cada 1 kg de nitrogênio aplicado por hectare na forma de fertilizante seja incrementado em torno de 50 Kg de matéria seca de forragem por hectare de pastagem. Dessa forma a adubação estratégica também é uma ferramenta de manejo de pastagem para o período de estiagem.

Planejamento de estratégias de suplementação

Além da prática do manejo de pastagem, é indispensável que o produtor faça um planejamento das estratégias nutricionais para evitar a perda de peso dos animais, complementar a sua dieta e amenizar os danos ao pasto, se for necessário. Vejamos a seguir o que é preciso fornecer, com maiores detalhes sobre o tema.

Suplemento mineral proteico

O suplmento mineral proteico, quando devidamente utilizado, permite que ocorra um reforço do sistema imunológico do animal, bem como melhora o funcionamento do sistema digestivo através da suplementação de proteína deficiente no pasto. Sua combinação com aditivos nutricionais, por exemplo, melhoram a digestibilidade e absorção dos nutrientes provenientes do pasto seco, promovendo ganho de peso moderado, o que torna a oferta de mistura proteico-mineral uma prática indispensável no período de seca.

Ração formulada

A ração formulada é uma estratégia importante para oferecer os nutrientes de acordo com as demandas de cada categoria animal. Isso pode ser interessante, por exemplo, se você tiver mais de uma categoria na propriedade e, portanto, poderá cobrir as necessidades nutricionais de todas as categorias sem maiores problemas, simplesmente adequando a formulação às exigências nutricionais de cada categoria. Além disso, pode-se empregar a ração formulada para promover efeito de substituição no consumo de pasto, adensando a lotação de determinadas áreas de pastagem na fazenda, o que pode ser uma ferramenta de manejo de pastagem interessante.

Silagem

A silagem é uma forragem (que pode ser de capim, milho, entre outros) que tem um valor nutricional muito semelhante ao do material de origem. Assim, pode ser uma forma interessante de substituir o pasto em períodos de seca, sem perder os nutrientes característicos do pasto.

Feno

Para animais que estejam confinados devido aos períodos de seca, uma possibilidade é utilizar o feno como fonte de fibra, até mesmo para substituição da silagem, quando ela não está disponível. Mesmo que tenham valores nutricionais diferentes, é possível realizar as adequações nutricionais necessárias para este fim.

Por fim, é sempre bom lembrar que as tecnologias e as boas práticas de manejo de pastagens estão disponíveis para intensificar a produção e promover a prosperidade da fazenda. O produtor que não souber aproveitá-las corre o risco de ficar para trás na constante busca pelo aumento da produtividade e perder seu lugar no mercado.

Para fugir disso, conhecimento é fundamental. Por isso, continue a sua leitura e tire suas dúvidas sobre o que é o pastejo rotacionado!

E aproveite e não perca nenhuma dica nossa: assine nossa newsletter e acompanhe conteúdos exclusivos.

Você também pode gostar

3 thoughts on “Manejo de pastagem ao longo do ano: as melhores práticas

    1. Olá, Everaldo agradecemos o seu comentário em nosso blog e ficamos felizes com a sua visita! Pedimos desculpas na demora para respondê-lo, pois estávamos com um problema interno em nossa plataforma e só agora conseguimos saná-lo.

      Para acompanhar os novos conteúdos do blog, assine a nossa newsletter e fique por dentro dos assuntos mais atuais sobre nutrição animal.

      Até breve,

Deixe um comentário