Dados do United States Department of Agriculture (USDA) apontam que o Brasil exportou 3,685 mil toneladas carne de frango em 2018. O valor coloca o país na liderança do setor, quando o assunto é exportação. Na produção total, foram obtidas 13,551 mil toneladas de carne de frango em um único ano, apenas dos Estados Unidos.

A criação de frangos de corte é diretamente impactada por uma série de fatores. Entre eles, o principal é a nutrição — que representa quase 70% de todos os custos necessários para essa produção. Mas, de qualquer forma, alguns cuidados podem auxiliar na obtenção de melhores resultados.

Entenda, neste conteúdo, como reduzir os custos na criação de frangos de corte e melhorar os lucros da sua propriedade!

Quais os principais custos na produção de frangos de corte

De acordo com a Embrapa, os custos mensais relativos à produção de frango de corte tiveram um aumento de 11,65% em 2018, quando avaliada apenas a nutrição. Levando em consideração todos os outros custos que afetam a produção de aves de corte, o ICP Frango acumulado no ano — divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa (CIAS) — foi de 14,21%.

Mas quais são os itens de custo que compõem esse valor total? São eles, entre outros:

  • instalações e equipamentos;
  • mão de obra;
  • transporte;
  • depreciação;
  • energia elétrica;
  • manutenção;
  • controle sanitário;
  • genérica;
  • ambiência.

Como citado anteriormente, dentre todos esses custos a nutrição animal é, sem dúvidas, um dos principais gargalos para o produtor. Afinal, trata-se de um ponto que pode chegar a representar em torno de 70% do custo total.

Isso acontece principalmente porque os preços dos insumos para produzir as rações são balizados em commodities, como o milho e soja. Essas matérias-primas apresentam grandes flutuações, tornando a nutrição um grande desafio.

Em contrapartida, a alimentação é, também, o ponto que oferece maior quantidade de opções, no que tange a redução dos custos a curto prazo. Explicaremos melhor a seguir.

Como reduzir os gastos no setor

Investimentos em melhoramento genético tornaram possível o alcance da redução do custo de produção na criação de frangos de corte. Isso aconteceu porque as aves se tornaram mais eficientes em converter a ração em carne.

Os frangos de 50 anos atrás precisavam consumir 4kg de ração para ganhar 1kg de peso. Hoje em dia, alcançamos patamares de 1,7kg de ração para cada kg de ganho de peso.

Porém, esse é um fator que apenas deve ser considerado ao longo prazo, já que a seleção aplicada em uma geração apresenta resultados somente em seis anos, aproximadamente.

De toda forma, esse melhoramento genético está relacionado a uma série de fatores que apresentam significativos resultados, quando:

  • o ajuste dos equipamentos é realizado de maneira adequada;
  • o manejo das aves, da iluminação e da cama é bem feito.

Esses são fatores que podem reduzir o custo de produção. Porém, aliada aos fatores genéticos que tornaram os frangos mais eficientes, a evolução da nutrição também foi determinante na redução dos custos de produção ao longo dos anos.

Atualmente, a utilização de aditivos tecnológicos e os novos conceitos de nutrição de precisão são excelentes ferramentas para reduzir custos de fórmulas e, consequentemente, custos de produção.

Separamos alguns pontos de destaque que contribuem para essas possíveis economias.

Forma física da ração

A utilização de uma ração peletizada triturada de boa qualidade, com quantidades mínimas de finos e boa integridade dos pellets nos comedouros, pode gerar uma economia de até 40 Kcal de energia metabolizável da ração.

Como consequência, há um aprimoramento dos resultados zootécnicos — o que influencia de forma direta e positiva a conversão alimentar.

Matérias-primas alternativas

De acordo com região e estação do ano, a utilização de matérias-primas alternativas de qualidade pode ser um ponto positivo para a redução dos custos com a nutrição.

Qualidade da matéria-prima (NIRS)

O ajuste das matrizes nutricionais realizado de forma rápida e precisa impacta diretamente na qualidade da ração e nos resultados zootécnicos. Isso pode ser feito com o uso do NIRS (Near-Infrared Spectroscopy). Trata-se de um dos métodos que permite a realização de análises químicas precisas, rápidas e de baixo custo, com mínima manipulação de amostras.

É uma importante ferramenta para análises quantitativas e qualitativas de parâmetros químicos e físicos. Além disso, as metodologias baseadas na espectroscopia NIR têm as seguintes propriedades inerentes:

  1. permite análise simultânea de vários parâmetros;
  2. trata-se de uma técnica não destrutiva e não invasiva;
  3. tem alta velocidade de processamento das informações e rápido fornecimento de resultados quantitativos;
  4. não consome reagentes químicos nocivos ao meio ambiente
  5. é menos trabalhosa e de custo relativamente baixo, quando comparada a outras técnicas.

Controle de micotoxinas

O uso de adsorventes de micotoxinas é considerado uma condição prioritária na criação das aves. Afinal, o milho, matéria-prima utilizada em maior quantidade nas formulações, em sua grande maioria, tem níveis elevados de micotoxinas — que podem prejudicar o desempenho das aves.

Uso de aditivos

O uso de ácidos orgânicos, enzimas, óleos essenciais, probióticos, emulsificantes e outros aditivos melhoradores da qualidade intestinal favorece os mecanismos de digestão e promove maior absorção dos nutrientes.

Ao promoverem melhorias na saúde intestinal, esses aditivos também proporcionam maior imunidade e melhoram o desempenho das aves, resultando em redução dos custos.

A partir de agora, vamos falar diretamente sobre a nutrição animal como recurso para a diminuição dos custos para a criação de frangos de corte. Continue a leitura!

De que forma usar a nutrição animal na redução de custos

Uma dieta correta acompanhada por uma nutrição adequada para criação de frangos de corte pode ser conceituada como “nutrição de precisão”.

Esse é um padrão no qual são considerados:

  • os requerimentos nutricionais das aves;
  • a sua fisiologia;
  • a correta matriz nutricional dos alimentos utilizados na ração.

Ao atender a essas três premissas de requerimento nutricional, fisiologia e qualidade das matérias-primas, é possível suprir as necessidades nutricionais da ave com menores quantidades de ração. Essa é uma evolução tecnológica na criação de frango de corte.

Esse cuidado, inevitavelmente, reduz os custos de produção, devido à menor mortalidade e à maior quantidade de carne produzida por quilograma de ração ofertada.

Onde não economizar na criação de frangos de corte

Ao adquirir matérias-primas para confecção das rações, é imprescindível não utilizar ingredientes de baixa qualidade. Eles normalmente são oferecidos com preços mais atrativos. No entanto, podem colocar em risco a nutrição animal eficiente.

Isso acontece porque, ao economizar na qualidade das matérias-primas, corre-se o risco de perder desempenho de forma irreversível. Sendo assim, é possível que implique negativamente nos resultados.

Pode-se considerar que na criação de frangos de corte, fatores como manejo, qualidade de ingredientes e formulação da ração, podem representar mais de 80% do sucesso ou fracasso de cada lote alojado.

Reduzir custos de produção na criação de frangos de corte requer conhecimento dos processos e das exigências nutricionais das aves, além do entendimento da importância dos ajustes adequados tanto na utilização e manutenção dos equipamentos, quanto no manejo como um todo. É esse cuidado que pode contribuir para a sustentabilidade financeira do negócio rural.

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Este conteúdo foi elaborado com a colaboração de Andréa de Britto Molino, especialista em Nutrição de Aves na Vaccinar. 

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