Uso de Tributirina em dietas de Aves

Nos últimos anos, a avicultura tem passado por uma transformação significativa impulsionada por exigências do mercado consumidor, regulamentações sanitárias e pela busca por sistemas de produção mais sustentáveis. Um dos focos dessa evolução é a substituição dos aditivos melhoradores de desempenho, como antibióticos promotores de crescimento, por alternativas naturais que promovam a saúde intestinal e mantenham a eficiência produtiva das aves. Nesse cenário, a tributirina tem ganhado destaque como uma solução promissora.
A tributirina é um triglicerídeo simples composto por três moléculas de butirato esterificadas a uma molécula de glicerol. Trata-se de uma forma lipídica estável do ácido butírico, um ácido graxo de cadeia curta (AGCC), que exerce efeitos benéficos amplamente reconhecidos sobre a saúde intestinal e o desempenho produtivo das aves.
Diferente do butirato sódico ou cálcico, que é rapidamente absorvido nas porções proximais do trato gastrointestinal (TGI), a tributirina é resistente à absorção imediata e é gradualmente hidrolisada por lipases pancreáticas e intestinais. Isso permite que o ácido butírico seja liberado ao longo de todo o intestino delgado, com ação significativa também em segmentos distais, como o jejuno, íleo e até o ceco — onde os benefícios fisiológicos são mais pronunciados.
Mecanismo de ação da tributirina em aves
Os principais mecanismos de ação da tributirina incluem:
- Efeito trófico sobre a mucosa intestinal: o ácido butírico é a principal fonte de energia para as células epiteliais intestinais. Ele estimula a proliferação de enterócitos, melhora a integridade das vilosidades e aumenta a absorção de nutrientes.
- Modulação da microbiota intestinal: tem ação antimicrobiana associada à redução do pH no trato gastrointestinal, inibindo o crescimento de bactérias patogênicas como E. coli e Clostridium spp. Também reduz a competição por nutrientes e favorece o crescimento de bactérias benéficas como Lactobacillus e Bacillus.
- Redução da inflamação intestinal: atua na regulação de citocinas inflamatórias, contribuindo para uma menor ativação imune e maior disponibilidade de energia para crescimento.
- Ação sobre o metabolismo hepático: modula a expressão de genes ligados à lipogênese e lipólise, favorecendo o equilíbrio energético e o rendimento de carcaça.
Benefícios observados no uso da tributirina em aves
- Melhora no ganho de peso e na conversão alimentar.
- Redução da mortalidade e melhor uniformidade do lote.
- Incremento na altura de vilosidades e relação vilo/cripta intestinal.
- Melhora a produção de ácidos graxos voláteis no ceco (acetato, propionato, butirato).
- Diminuição das perdas por enfermidades entéricas.
A Vaccinar conta em seu portfólio com o Bio Buty 3, um aditivo zootécnico acidificante composto por 60% de tributirina, indicado para a alimentação de aves em todas as fases produtivas. A dosagem recomendada varia de 0,25 kg a 1 kg por tonelada de ração, podendo ser ajustada conforme orientação do nutricionista, com base nos desafios sanitários específicos de cada granja.
Estudos reunidos por meio de meta-análise (Giacomini et al., 2022) demonstram que, embora a eficácia dos ácidos orgânicos possa ser influenciada pela composição da dieta, o fator determinante para seus resultados é a presença de desafio microbiológico. Nessas condições, o ácido butírico se destaca por sua capacidade de promover a saúde intestinal e melhorar o desempenho zootécnico das aves.
No estudo, a avaliação do ganho de peso e conversão alimentar de frangos evidencia que o uso de ácido butírico é eficiente, principalmente frente a um desafio microbiológico.
Efeito do ácido butírico sobre o GPD (g/dia) de frangos sem e com desafio microbiológico

Adaptado de: Giacomini P. V. et al., 2022.
Efeito do ácido butírico sobre a conversão alimentar (g/g) de frangos sem e com desafio microbiológico

Adaptado de: Giacomini P. V. et al., 2022.
A tributirina se consolida como um aditivo estratégico na nutrição de aves, unindo efeitos sobre desempenho produtivo e saúde intestinal. Sua utilização promove melhorias zootécnicas significativas com retorno econômico significativo, principalmente quando empregada em dietas nutricionalmente otimizadas ou em cenários de alta pressão sanitária.
Ao oferecer uma liberação controlada e localizada do ácido butírico, a tributirina ultrapassa as limitações dos sais de butirato convencionais, destacando-se como uma das moléculas mais promissoras na formulação de dietas modernas para aves.
