Nutrição animal aplicada ao contexto das mudanças climáticas

Por: Dante Júnior
A produção global de carne suína tem apresentado crescimento constante nas últimas décadas, representando aproximadamente 35% da produção mundial de carnes. Esse avanço reforça o papel da suinocultura na segurança alimentar global, no comércio internacional e na economia.
Para garantir a sustentabilidade da suinocultura, é essencial reduzir ao máximo a emissão de poluentes provenientes das granjas e o uso de recursos não renováveis. Dentre os componentes mais impactantes presentes nos dejetos, destacam-se o nitrogênio e o fósforo. A elevada excreção desses nutrientes contribui significativamente para a eutrofização do solo e rios, além de favorecer a emissão de gases de efeito estufa.
Nesse contexto, a adoção de estratégias nutricionais eficientes torna-se fundamental para reduzir a excreção de nitrogênio e fósforo. Uma das medidas mais eficazes consiste em ajustar precisamente os níveis de proteína, aminoácidos e fósforo nas dietas, de acordo com o estágio fisiológico e o potencial de crescimento dos suínos. Esse balanceamento evita tanto deficiências quanto excessos, promovendo melhor aproveitamento dos nutrientes e menor impacto ambiental.
Com base nesses princípios, a Vaccinar desenvolveu o programa nutricional ELEVA, que reforça seu compromisso com a saúde animal e a sustentabilidade ambiental.
No que se refere à utilização eficiente do nitrogênio, a principal estratégia consiste na redução do teor de proteína bruta da dieta, associada à inclusão de aminoácidos cristalinos, utilizando o conceito de proteína ideal. Essa prática visa minimizar o fornecimento excessivo de aminoácidos, reduzindo a excreção de nitrogênio. Além disso, existe uma correlação positiva entre o nível proteico da ração e o consumo de água, de modo que a redução da proteína também favorece a economia hídrica e a menor produção de dejetos.
Outros fatores que influenciam a excreção de nitrogênio estão relacionados à digestibilidade da proteína. O farelo de soja, principal fonte proteica das dietas, pode ter sua qualidade comprometida pelo processamento inadequado, o que resulta em maior concentração de inibidores de tripsina no ingrediente, prejudicando a digestão proteica no intestino e, consequentemente, a eficiência de utilização do nitrogênio.
Aliado a qualidade dos ingredientes, o processamento das rações, como a peletização, é uma ferramenta eficaz para aumentar a digestibilidade dos nutrientes, incluindo a proteína. No entanto, temperaturas e pressões excessivas durante o processo podem desencadear a reação de Maillard, tornando aminoácidos indisponíveis para absorção ao reagirem com açúcares redutores. Além disso, essas condições extremas podem levar à racemização dos aminoácidos, convertendo o enantiômero da forma L para D, que não são depositados, comprometendo ainda mais sua utilização. Portanto, a peletização deve ser realizada com controle rigoroso dos parâmetros de processamento para garantir que seus benefícios sejam efetivamente alcançados.
Com foco nesse desafio, a Vaccinar adota um rigoroso controle de qualidade das matérias-primas em todas as etapas, desde o recebimento e armazenamento até o processo de produção. A empresa também conta com fábricas modernas, seguras e altamente eficientes, equipadas com tecnologias de ponta, além de sólida expertise técnica nas áreas de formulação e produção de QualiFEEDs, rações desenvolvidas para garantir alto desempenho dos animais. Essa estrutura integrada assegura a entrega de soluções nutricionais de alta performance, com segurança e sustentabilidade.
A inclusão de enzimas exógenas é outra estratégia essencial para otimizar a digestibilidade dos nutrientes e reduzir custos de formulação. As proteases, por exemplo, aumentam a eficiência da digestão proteica e minimizam os efeitos negativos dos inibidores de tripsina, melhorando o aproveitamento dos nutrientes da dieta.
Entre as enzimas utilizadas na alimentação suína, a fitase se destaca. Após a energia e a proteína, o fósforo é o terceiro nutriente mais oneroso da formulação. Em ingredientes vegetais, como milho e farelo de soja, cerca de 50 a 80% do fósforo encontra-se na forma de fitato, que é pouco disponível para absorção pelos suínos, devido à limitada atividade de fitase endógena no trato digestivo. A adição de fitase às dietas melhora a digestibilidade do fósforo fítico, reduzindo a necessidade de inclusão de fontes inorgânicas, como o fosfato bicálcico, e diminuindo a excreção desse mineral no meio ambiente. Além disso, a hidrólise do fitato melhora a disponibilidade de outros minerais, aminoácidos e carboidratos, promovendo maior eficiência nutricional.
Com base nesses avanços, a Vaccinar oferece a linha BIO ENZIMA, composta por fitase, protease e carboidrase. Esses aditivos enzimáticos foram desenvolvidos para maximizar o desempenho dos animais, reduzir os custos de formulação e promover uma suinocultura mais eficiente e ambientalmente responsável. Além disso, disponibiliza o aditivo BIO PHÓSFORO, um produto de baixa inclusão (0,05%) que substitui integralmente fontes convencionais de fósforo, como fosfato bicálcico e farinha de carne, em rações para suínos em fase de engorda. Sua utilização garante excelente desempenho zootécnico, ao mesmo tempo em que contribui para a redução da excreção de fósforo no ambiente.
Estas estratégias em conjunto, aplicadas à linha ELEVA, foram muito bem pensadas, desenvolvidas e testadas para entregar alta produtividade sem abrir mão da sustentabilidade da produção, essencial para o crescimento da suinocultura.
REFERÊNCIAS
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