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A carne de peixe é a segunda mais consumida no mundo, estando logo atrás da suína. Seu alto valor nutritivo e seu baixíssimo teor de gordura impulsionam o mercado, uma vez que a população tem buscado uma alimentação mais saudável. Nesse contexto, a criação de peixes se mostra promissora pelo alto rendimento e por sua grande capacidade de expansão.

Setor da aquicultura que se destina à criação de peixes tanto para fins econômicos quanto para fins científicos ou ornamentais, a piscicultura é uma prática muito mais antiga do que se imagina, tendo registros da atividade pelos egípcios e pelos chineses, há cerca de 4 mil anos. Contudo, foi a pesca excessiva e desregulada, provocando inclusive extinções, que fez o setor se desenvolver.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), essa é a melhor aposta para suprir a demanda alimentar. E o melhor: a estimativa é de que o mercado cresça 33% na América Latina nos próximos anos!

Frente a esse cenário e às possibilidades de expansão no país, melhor já começar a se inteirar sobre quais são os sistemas para criação de peixes e como cada um deles funciona, certo? Quer entender um pouco mais sobre isso? Então continue a leitura do nosso post!

Quais são os sistemas para criação de peixes?

Com a expansão do mercado no Brasil, encontramos 5 tipos de sistemas para criação de peixes: sistema de produção extensivo, semi-intensivo, intensivo, superintensivo e tanques redes.

A escolha por um deles depende do grau de investimento que o piscicultor deseja empregar, do espaço disponível e também do planejamento estratégico das metas de produção. Dentro desse plano de gestão devem estar previstos os custos de instalação, a qualidade nutritiva do alimento fornecido, a aplicação de tecnologias, a capacitação da mão de obra e o manejo geral do complexo.

Antes de falarmos especificamente sobre as diferenças entre eles, precisamos definir exatamente o que é um sistema de criação de peixes e quais são os fatores que devem ser levados em conta para seu bom funcionamento. Confira!

O que é um sistema para criação de peixes?

Um sistema de criação de peixes é um complexo de produção em cativeiro que tem finalidade comercial, científica ou simplesmente ornamental. A criação pode ser realizada em qualquer estágio de desenvolvimento dos peixes, o que significa que tanto larvas como alevinos e adultos são passíveis de criação.

Como dissemos, o manejo de peixes é uma prática milenar, mas que tem se desenvolvido mais nos últimos anos, pois responde rapidamente às metas produtivas estabelecidas pelo piscicultor. A soma dos peixes capturados e produzidos no mundo supera os níveis de produção de qualquer outra fonte de proteína animal. Por isso, tem capacidade de atender à demanda do crescimento populacional.

Cabe ressaltar que existem alguns critérios que devem ser levados em consideração durante a escolha do complexo de criação, como as condições ambientais da região, a situação financeira do produtor e a disponibilidade para conseguir insumos e tecnologia.

Como esse tipo de criação funciona?

Para que o sistema de criação de peixes funcione adequadamente, o primeiro passo é realizar um planejamento para toda a produção. O piscicultor deve ter em mente os objetivos para o empreendimento: o que, quanto e para quem produzir. Depois de estabelecidas as metas, é hora de prosseguir com a instalação do negócio. Lembrando que é fundamental que o produtor esteja em dia com todas as questões burocráticas envolvidas, como licenciamentos ambientais.

Em relação à produção em si, deve-se tomar cuidado para manter constantes a quantidade e a qualidade dos produtos, evitando assim o comprometimento do comércio e sua inserção no mercado. O produtor deve ter boas práticas de manejo, seguir rigorosamente os critérios sanitários e controlar os fatores nutricionais do cardume.

Além disso, é essencial conciliar a adaptabilidade e o comportamento da espécie que se planeja produzir com a infraestrutura e o manejo empregados. Para elevar a produtividade do negócio, é preciso aliar conhecimento com viabilidade econômica para o aporte tecnológico.

É preciso estar atento aos custos e à logística da chegada de insumos, bem como ao escoamento da produção. Também é crucial contar com a devida assistência técnica para elevar a eficiência do sistema.

Quais são os sistemas de criação de peixes?

Veja a seguir quais são os complexos existentes para criação de peixes:

Sistema extensivo

Praticado por pequenos produtores em represas e açudes, é perfeito para ser implantado em propriedades com boa disponibilidade de água. Esse sistema é caracterizado pela baixa produção em relação à área utilizada. A alimentação dos peixes se dá com o uso de subprodutos agrícolas ou com alimento natural. O pescado proveniente desse cultivo geralmente é destinado à subsistência e ao comércio local.

Semi-intensivo

Esse cultivo é mais utilizado pelos brasileiros, pois gera a possibilidade de criação de várias espécies de peixes no mesmo viveiro, independentemente dos hábitos alimentares. Nele, os peixes consomem alimento natural (fito e zooplâncton), mas também há oferta de ração. É necessário certo grau de conhecimento técnico para proceder ao manejo desse sistema.

Intensivo

Essa atividade demanda alta tecnificação, com constante renovação de água por fluxo contínuo e recirculação (raceways), a fim de manter a alta densidade de animais. Recomenda-se que a ração (completa e balanceada) seja oferecida extrusada para maior estabilidade na água. A quantidade de ração deve ser ajustada conforme a fase, densidade populacional e temperatura, visando uma melhor conversão alimentar.

Superintensivo

Nesse sistema, os animais são criados em grandes tanques, em alta densidade e com fluxo contínuo de água para a reposição de oxigênio. A oferta de ração completa também é necessária nesse modo de criação de peixes. Uma das vantagens é a facilidade do manejo alimentar, pois o processo é automatizado.

Tanques redes

Também chamados de gaiolas, os tanques redes são sistemas superintensivos recomendados para pisciculturas com difícil escoamento de água. É importante que a propriedade tenha lagoas, rios, riachos ou represas para sua implantação. Como não há disponibilidade de alimento natural, as exigências nutricionais dos peixes são atendidas por meio de rações balanceadas. Uma das vantagens é que um tratador consegue manejar sozinho 40 gaiolas.

A demanda por fontes de proteína animal com baixo teor de gordura avisa: o mercado está para peixe! O Brasil tem um grande potencial para a expansão na área, com condições ambientais favoráveis para a criação de peixes e cerca de 12% do total de água doce do planeta. Prova disso são as toneladas de pescado que são importadas para suprir o consumo interno. Nesse contexto, o piscicultor que tiver conhecimento e um bom planejamento tem tudo para obter sucesso.

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Este conteúdo foi elaborado com a supervisão de Bruna Ponciano Neto, especialista em aqua & pet, nutrição & tecnologia na Vaccinar e Isabella de Oliveira, estagiária nutrição & tecnologia na Vaccinar

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