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Na suinocultura, a alimentação é o fator que causa maior impacto na produtividade do plantel. Nesse contexto, a deficiência nutricional afeta significativamente — e de diversas maneiras — as respostas produtivas em todas as fases de reprodução das matrizes suínas.

Desde as marrãs até o desmame da leitegada, passando por toda fase de gestação onde ocorre o desenvolvimento dos fetos, a dieta das fêmeas precisa ser especificamente planejada para cada fase, visto que a continuidade do negócio depende das matrizes.

Pensando nisso, elaboramos este artigo para você! Continue a leitura e veja quais são os aspectos nutricionais que, se aplicados às fêmeas, melhoram a performance da leitegada.

Por que se preocupar com o manejo nutricional de matrizes suínas?

A alta produtividade que vemos hoje na suinocultura é resultado da otimização das estratégias nutricionais, aliada à eficiência reprodutiva das matrizes e à manutenção do controle sanitário. O desempenho da produção, por sua vez, é avaliado pelo número de leitões desmamados por fêmea ao ano.

Nas últimas décadas, o avanço do manejo genético originou linhagens modernas que apresentam um grande número de leitões nascidos, elevada produção de leite, baixo consumo voluntário, rápida deposição de grandes quantidades de tecido magro e menores reservas de tecido adiposo.

Esse menor consumo voluntário da ração pode ser uma preocupação quando está relacionado às primíparas em lactação, pois suas reservas corporais serão mobilizadas a fim de compensar a baixa ingestão e atender a alta exigência nutricional dessa categoria. Para fêmeas em primeiro aleitamento, além das exigências para produção de leite, é necessário atentar-se para correto desenvolvimento da fase, sendo assim, crucial uma correta nutrição a fim de não gerar efeitos negativos na vida produtiva da matriz como:

  • aumento no intervalo desmame-estro;
  • redução na taxa de ovulação;
  • redução na taxa de sobrevivência embrionária;
  • diminuição do tamanho da leitegada.

Nas marrãs, a nutrição influencia o crescimento e o tempo em que atingirão a puberdade, bem como o número de óvulos liberados nos seus primeiros ciclos estrais. Nas fêmeas multíparas, assim como nas primíparas, a dieta interfere na taxa de ovulação.

Isso demonstra que as matrizes suínas hiperprofílicas têm uma demanda nutricional mais elevada e, por isso, necessitam de uma estratégia nutricional diferenciada, desde a etapa de leitoas de reposição até a lactação. Caso essas necessidades não sejam atendidas, inúmeros aspectos reprodutivos e produtivos poderão ser severamente afetados.

Como fazer o manejo nutricional de marrãs?

Durante o seu crescimento, a dieta das marrãs tem um grande impacto no seu desenvolvimento reprodutivo e, por isso, deve-se dedicar atenção ao manejo delas desde o início, nos primeiros estágios de suas vidas. A composição corporal das fêmeas em sua fase reprodutiva será influenciada pela quantidade de energia e de proteína ingeridas no período de crescimento.

O objetivo do manejo nutricional das marrãs é proporcionar a elas adequadas deposições de gordura e proteína, controlando seu ganho de peso e diferenciando-as do restante do plantel destinado à produção de carne, em que se objetiva o máximo ganho de peso. Sendo assim, o recomendado é que as fêmeas, até a idade da primeira ovulação, tenham um ganho de peso médio entre 610 e 770 g/dia).

Esses valores correspondem a um ganho de peso moderado e, para que tenham uma adequada deposição de gordura como reserva corporal, o balanceamento das rações e o manejo alimentar devem ser bem planejados.

O flushing é um dos métodos adotados pelos suinocultores e que se caracteriza pelo aumento no consumo de energia por um intervalo de tempo de 10 a 14 dias antes da cobertura. Além disso, o consumo adequado dos minerais (cálcio e fósforo), merece atenção para que a leitoa também tenha um adequado crescimento ósseo.

Como fazer o manejo nutricional de matrizes suínas gestantes?

Durante a gestação, as matrizes suínas devem receber uma dieta suficientemente balanceada para que conservem o seu estado nutricional adequado, mas também obtenham os nutrientes necessários para garantir a sobrevivência e desenvolvimento dos embriões. Além disso, a alimentação deve suprir a demanda para conseguir o maior número de leitões vivos ao parto, maior ingestão de alimento durante a lactação e, consequentemente, leitões mais pesados ao desmame.

Nessa fase, como as fêmeas apresentam exigências nutricionais relativamente baixas quando comparadas ao período de lactação, o consumo de energia e de alguns nutrientes deve ser limitado para que haja o controle do ganho de peso e que se mantenha um escore corporal apropriado. Entretanto, a quantidade de energia e nutrientes deve ser suficiente para eviitar que as matrizes suínas produzam leitões fracos e uma leitegada desuniforme.

O desbalanço nutricional nesta fase, no caso o excesso de nutrientes e energia, está relacionado ao aumento nas perdas embrionárias, maior dificuldade no parto e redução do apetite na fase de lactação.

Sendo assim, as marrãs e matrizes precisam ser manejadas visando a obter ganho de peso líquido em torno de 25 kg durante o período de gestação, nas três ou quatro primeiras parições. Levando em consideração que o ganho de peso da placenta e dos produtos de concepção é de cerca de 20 kg, o total de ganho de peso deve ser de 45 kg durante a gestação.

No terço final dessa fase, algumas genéticas recomendam que se aumente o consumo de ração pelas matrizes, devido à maior demanda por nutrientes para o crescimento final dos fetos. Além disso, a maior ingestão de alimento influencia diretamente na prevenção da perda de proteínas corporais, normalmente mobilizadas para dar suporte ao desenvolvimento materno e fetal.

A relação entre o consumo de energia e aminoácidos (especialmente lisina) é uma das diferenças nas exigências nutricionais de marrãs e matrizes em lactação. Sugere-se um cuidado especial para essas fêmeas jovens (de primeira ou segunda ordem de parição), pois o seu desenvolvimento corporal ainda não foi concluído.

Como fazer o manejo nutricional de matrizes suínas em lactação?

A fase de lactação é importantíssima no ciclo reprodutivo das matrizes suínas. O objetivo é atender as demandas dos leitões lactantes, reduzindo a mortalidade pré-desmame e otimizando a produção de leite, sem que ocorra excesso de perda de peso das porcas e buscando controlar o intervalo desmama-cio para garantir uma taxa de ovulação satisfatória.

As exigências nutricionais nessa fase são maiores do que durante a gestação — por isso, é recomendado que as matrizes maximizem seu consumo de ração. Essa estratégia permite:

  • reduzir as perdas de peso corporal e de espessura do toucinho;
  • aumentar a produção de leite e o crescimento dos leitões;
  • diminuir a mortalidade dos leitões e melhorar a performance reprodutiva futura.

Deve-se dar especial atenção ao fornecimento de água para as matrizes nessa fase, que precisam ser atendidas em volume e em temperatura. O consumo diário varia de 20 a 60 L, uma vez que depende do consumo de ração, da temperatura do galpão e do tamanho da leitegada.

As matrizes suínas são a peça-chave para a continuidade do negócio e, por isso, devem receber estratégias nutricionais condizentes com as suas exigências. A dieta balanceada, elaborada para cada um dos estágios reprodutivos das fêmeas, é o que assegura a produção uniforme e de qualidade na suinocultura e bom manejo nutricional é, portanto, o que garante os melhores retornos em longo prazo.

Contudo, o restante do plantel também precisa de atenção para que seu desempenho seja maximizado. Continue aprofundando seus conhecimentos e saiba, agora, quais os principais cuidados na criação de leitões!

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